Beija-flor x lobo-guará: mesmo 'extinta', cédula de R$ 1 é mais comum que a de R$ 200
Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil
Beija-flor x lobo-guará: mesmo 'extinta', cédula de R$ 1 é mais comum que a de R$ 200

O lobo-guará passou a integrar a fauna estampada em cédulas do real em setembro de 2020, mas ainda é o mais tímido e menos popular entre os “animais” que circulam no dinheiro brasileiro. É mais raro até que os “extintos”.

São apenas 105,1 milhões de  notas de R$ 200 nas mãos das pessoas e dos bancos, menos que a quantidade de cédulas de R$ 1 em circulação. Segundo dados do Banco Central (BC), as notas de R$ 1, estampadas pelo beija-flor e sem novas emissões desde 2005, ainda são 148,7 milhões na economia, quase 50% mais que os exemplares de R$ 200.

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Os motivos da baixa popularidade do lobo-guará são vários, além do poder aquisitivo médio do brasileiro. Um deles é o Pix, lançado poucos meses depois da nota de R$ 200. O sistema eletrônico de transferências instantâneas e gratuitas se popularizou rapidamente e reduziu ainda mais o uso de dinheiro em espécie. 

Mesmo em menor quantidade, o número de cédulas de R$ 200 em circulação vem subindo mensalmente.

Em dezembro de 2020, três meses após o lançamento, eram 36,4 milhões. Em dezembro de 2021, chegou a 88,4 milhões e, no fim de junho, atingiu 105,1 milhões. Ainda assim, a maior parte das 450 milhões de cédulas com o lobo-guará produzidas pela Casa da Moeda ainda está nas mãos do BC, que pagou R$ 146,2 milhões pela produção.

Na época do lançamento da cédula, o BC argumentava que a nota de valor mais alto seria necessária para atender à demanda maior da população por papel-moeda com o auxílio emergencial pago na pandemia. 

Procurada, a instituição disse que a cédula cumpre sua função e vem sendo colocada em circulação de forma gradual e no ritmo esperado.

Na avaliação de Mariana Chaimovich, legal advisor do Instituto de Estudos Estratégicos de Tecnologia e Ciclo de Numerário (ITCN), a cédula de R$ 200 cumpriu sua função, na época, de evitar falta de dinheiro em espécie e ainda tem seu lugar atualmente.

"Se o Pix é realidade para muita gente, para outros não é. Temos que lembrar, e isso é verdade em grande parte do discurso do BC, que esses meios de pagamento devem conviver em harmonia." 

Mauro Rochlin, professor da FGV, explica que também há a questão da inflação, que vem desvalorizando a moeda nos últimos 28 anos. Segundo a Calculadora do Cidadão, do BC, R$ 100 em julho de 1994, mês do início do real, equivalem a R$ 758,05 atualmente, com correção pelo IPCA.

Apesar disso, ele acredita que a cédula de R$ 200 pode ficar sem função porque, em transações de maior valor, a preferência é o meio eletrônico. 

"A nota de 200 ficou meio sem função, não consegue atender àquelas transações de baixo valor, como também não vai atender às transações de maior valor, por conta da insegurança hoje de tratar com dinheiro físico", diz Rochlin.

Desde a pandemia, a demanda por cédulas foi aos poucos se reduzindo, mas ainda não atingiu o nível pré-Covid. Em dezembro de 2019, havia 7,1 bilhões de cédulas circulando, número que subiu para 8,5 bilhões no mesmo mês de 2020 e caiu para 7,6 bilhões em dezembro do ano passado. Atualmente são 7,4 bilhões.

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