Brasil importa atualmente cerca de 25% de suas necessidade de diesel no mercado interno
Agência Petrobras
Brasil importa atualmente cerca de 25% de suas necessidade de diesel no mercado interno

O presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, alertou nesta quarta-feira (25) para o possível desabastecimento de óleo diesel a partir do segundo semestre do ano, devido à prevista escassez de oferta no mercado internacional e do baixo nível dos estoques mundiais. 

Ele critica a baixa produtividade das refinarias brasileiras e afirma que o preço do petróleo deve saltar ainda mais nos próximos meses.

"Um dos erros cruciais do Governo Federal foi não ter concluído o segundo trem da Refinaria Abreu Lima (PE), especializada na produção de diesel. Errou também ao não investir no Comperj e ao não construir unidades de coqueamento em algumas refinarias do país", publicou nas redes sociais.

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"Desde que as sanções contra a Rússia alteraram o comércio de combustível, o fornecimento de diesel se tornou uma preocupação. A Índia está produzindo diesel com petróleo russo e exportando para a Ásia e Brasil", completa.

O presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, havia alertado o Ministério de Minas e Energia sobre a possibilidade de falta de diesel pouco antes de ser demitido.

O documento apresentado ao governo apresentava o cenário de desabastecimento de diesel em pleno auge da colheita da soja, o que teria impacto direto no PIB (Produto Interno Bruto).

Sob o título de "Combustíveis: desafios e soluções", o documento obtido pela agência Reuters dizia que no terceiro trimestre do ano há aumento sazonal na demanda por diesel no Brasil e nos EUA, sendo que o mercado internacional vive hoje a menor oferta do produto em 14 anos.

"Sem sinalização de que os preços de mercado serão mantidos adiante, há um risco concreto de escassez de diesel no auge da demanda, durante a temporada de colheita, afetando o PIB do Brasil", diz o documento.

"Os estoques globais de diesel estão bem abaixo da média histórica", aciona. "A Petrobras sozinha não pode resolver a alta global nos preços de energia", complementa a apresentação.

O Brasil deixa para importar o combustível de setembro em junho. Normalmente a carga vem do México em duas ou três semanas.

A Petrobras já tem buscado alternativas como fornecedores na África Ocidental ou na Índia, que demoram mais a chegar no país. Um carregamento da Índia, por exemplo, levaria 45 a 60 dias para desembarcar no Brasil.

Os estoques de diesel no Brasil são suficientes para atender a, no máximo, um mês da demanda doméstica.

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