Roberto Campos Neto
José Cruz/Agência Brasil
Roberto Campos Neto

O frio intenso em diversas regiões do país está atingindo áreas produtoras de alimentos, grãos, frutas, verduras e legumes. Os agricultores já estão em alerta, principalmente os que plantam hortaliças, café, milho, banana e cana-de-açúcar, mais sensíveis a baixas temperaturas e geadas. Se esses alimentos forem afetados, os produtos ficarão mais caros. Isso pode impactar a inflação, conforme reconheceu o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

"Estava fazendo uma reunião de inflação e estava falando da geada que vem por aí, qual é o impacto que isso pode ter em alimentos e na inflação de curto prazo", disse Campos Neto no Congresso Mercado Global de Carbono - Descarbonização e Investimentos Verdes, promovido por Banco do Brasil e Petrobras.

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Batata, alface e tomate

Matheus Peçanha, economista e pesquisador do FGV/Ibre, avalia que a ocorrência de frio intenso este mês pode provocar novo repique de preços dos alimentos e recrudescimento da inflação. Mas ainda não há uma estimativa do impacto nos preços ao consumidor.

Inflação dos hortifrutigrajeiros em 2022

"As hortaliças e legumes já sofreram nas últimas geadas. O tomate e cenoura já vinham como produtos com altas significativas e podem voltar a subir. O clima está frustrando todas as previsões da inflação. O café e a cana-de-açúcar também podem ser bastante afetados", afirmou Matheus.

Café, frutas e legumes estão entre os itens que mais subiram de preço nos últimos 12 meses. E a Região Sul, onde esta semana até nevou, é forte na produção de soja, carne, milho, cana-de-açúcar, hortaliças e algodão.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, batata, alface e tomate não resistem à ocorrência de geadas, por exemplo. Por enquanto, os técnicos não identificaram quebras de safra. No caso da soja, se houver geada no Paraná, as lavouras podem ser prejudicadas.

No caso do milho, produtores relataram geadas em algumas áreas do sul de Mato Grosso do Sul. Mas a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) informou que ainda está analisando a situação.

Sondagens do Cepea mostram que a preocupação é maior entre os produtores de milho e café. Apesar da expectativa de safra recorde de milho no Brasil, os valores voltaram a subir, interrompendo o movimento de queda registrado desde o fim de abril.

Segundo pesquisadores do Cepea, isso se deveu à apreensão com a chegada de uma frente fria em parte das regiões produtoras, o que limitou o ritmo de negociação da produção.

No caso dos cafeicultores, o temor é que se repitam os prejuízos registrados no inverno de 2021. No Sul de Minas e em Garça (SP), a colheita já começou, mas em outras regiões produtoras isso ocorrerá no fim deste mês e em junho. Ou seja, a frente fria ainda pode prejudicar a safra.

Busca por roupas de frio

Para Everaldo Oliveira do Nascimento, presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Estado do Rio (BGA-RJ), ainda é cedo para avaliar o impacto do frio nas feiras e supermercados:

"Não temos uma informação precisa sobre uma real alteração e os impactos futuros nos preços, mas sabemos que as hortaliças sofrem bastante porque queimam com o frio e as geadas."

Mas, segundo ele, com certeza terão um aumento de preço, principalmente se o frio continuar por mais tempo.

A onda de frio mudou até outros hábitos de consumo. No Mercado Livre, botas, coturnos, jaquetas e casacos dominaram o ranking de dez itens mais buscados na categoria “moda” entre 9 e 18 de maio.

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