ONU: 200 milhões de pessoas sofriam com insegurança alimentar em 2021
Daniel Marenco/Agência O Globo
ONU: 200 milhões de pessoas sofriam com insegurança alimentar em 2021

Conflitos, condições climáticas extremas e crises econômicas — além dos efeitos da pandemia de Covid-19 — aumentaram em 40 milhões o número de pessoas em insegurança alimentar em 2021, revela um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta quarta-feira (4). 

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No ano passado, a insegurança alimentar atingia 193 milhões de pessoas em 53 países.

O relatório também revela que o número quase dobrou desde 2016, data da primeira edição publicada pela Rede Global Contra Crises Alimentares, uma parceria entre as Nações Unidas e a União Europeia.

Apenas na América Latina e no Caribe, mais de 12 milhões viveram uma grave crise de insegurança alimentar em 2021, especialmente na Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Haiti, o último com 46% de sua população em situação de emergência.

O documento da Rede Global também alerta que a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro, representa sérios riscos para a segurança alimentar global, especialmente em países em crise alimentar. Tanto a Ucrânia quanto a Rússia são grandes produtores de alimentos.

"Os países que já enfrentam altos níveis de fome aguda são particularmente vulneráveis ​​[à guerra] devido à sua alta dependência das importações de alimentos e sua vulnerabilidade aos choques globais dos preços dos alimentos".

A Rede Global adverte que as "perspectivas para o futuro não são boas" e que "se não for feito mais para apoiar as comunidades rurais, a escala da devastação em termos de fome e perda de meios de subsistência será terrível”.

"É necessária uma ação humanitária urgente em grande escala para evitar que isso aconteça", afirma.

Quase 25 milhões de toneladas de grãos estão presos na Ucrânia, diz FAO

Um dos principais exportadores de trigo do mundo, a Ucrânia tem cerca de 25 toneladas de grãos presos no país por problemas de infraestrutura e bloqueio de portos e estradas, informou nesta sexta a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O bloqueio do acesso à Ucrânia ao Mar Negro, por conta da ocupação russa em portos como o de Mariupol, impedem a saída dos alimentos do país.

Na temporada 2020/2021, os ucranianos foram o quarto maior exportador de milho e o sexto maior de trigo do mundo, de acordo com o International Grains Council (Conselho Internacional de Grãos).

As consequências disso, segundo a FAO, serão a insegurança alimentar e o aumento nos preços dos alimentos, que já atingiram recorde em março, após a invasão russa, em 24 de fevereiro.

Índice de Preços de Alimentos da FAO caiu 0,8% em abril

O Índice de Preços de Alimentos da FAO alcançou média de 158,5 pontos em abril — queda de 0,8% ante a máxima histórica alcançada em março, embora ainda 29,8% acima do resultado em igual período do ano passado.

A baixa foi liderada pela queda significativa no subíndice de óleo vegetal, que registrou média de 237,5 pontos em abril, queda de 5,7% ante o recorde de março.

O subíndice de preços dos cereais registrou média de 169,5 pontos no mês passado, uma redução de 0,4% em relação ao recorde alcançado no mês anterior.

Os preços internacionais do trigo subiram em abril, embora timidamente, ganhando 0,2%.

Já os subíndices de preços de açúcar, carnes e laticínios mantiveram altas moderadas.

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