Tomate é campeão na alta de preços
Unsplash/ Josephine Baran
Tomate é campeão na alta de preços

No rali das frutas, legumes e hortaliças, o campeão de preços altos da vez é o tomate. O preço do fruto sobe há 20 semanas seguidas e levou feirantes, supermercados e restaurantes a improvisarem para não perderam a clientela. Só em abril, o tomate já ficou 22,25% mais caro, e isso depois de ter subido 6,55% em março, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Numa loja de Brasília, os preços do tomate do tipo grape já são expostos não mais por quilo, mas por 100g. São R$ 2,99 por 100g – ou quase R$ 30 o quilo. Nas feiras do Rio, as bancas já oferecem a opção de venda por sacolas com os tomates já embalados e preços já definidos – tudo para não assustar o consumidor. 

O saquinho de três tomates italianos era vendido a R$ 3 – ou um real por tomate – na última terça-feira (26) em Ipanema. "O saco também ajuda a não estragar. Se eu comprar do tomate comum e empilhar aqui na feira, ele estraga rapidinho e eu perco dinheiro. Tenho comprado só do tomate italiano, que dura mais".

O feirante, que vende o quilo do tomate a R$ 15, disse que nem sempre consegue repassar a alta das frutas e hortaliças para o cliente. Na ponta da língua, quem passa pela feira responde sem titubear quando a pergunta é: que item mais subiu de preço nos últimos meses? 

"O tomate. Mas também estou comprando menos alface e banana, que subiram muito", conta a empregada doméstica Sônia Maria Santos.  

A babá Secilma Souza, moradora de São Gonçalo, mudou o cardápio para driblar a alta dos preços. A carne ficou sem molho, e o tomate agora só dá cor na salada. "Faço compras de 15 em 15 dias. Mas se antes eu colocava tomate na carne, fazia um molho, hoje eu compro menos e coloco só na salada".

Se a culinária brasileira usa bastante o tomate, a italiana praticamente gira em torno dele. As palavras são de Humberto Carmello, dono do restaurante Vecchio Cappelletti, de São Paulo. Como o produto é insubstituível e repassar a alta de preços não é uma opção, sob risco de perder a clientela, Carmello reduziu sua margem de lucro acreditando que o aperto nas contas será temporário.

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"Fiz isso acreditando que o aumento vai ser sazonal, mas se fosse cobrir os custos, precisaria aumentar o valor do cardápio em aproximadamente 15%. Eu uso, por semana, entre 30 e 40 quilos de tomate, porque além de estar presente em quase todos os nossos pratos, é a base do molho pomodoro, o favorito do público", diz. 

André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getulio Vargas, explica que, este ano, além da sazonalidade, outros fatores afetam na alta dos preços de frutas, legumes e hortaliças. São itens cuja produção sofre no verão, por causa das chuvas. A tendência, então, é que os preços tenham um alívio daqui para frente. 

Mas, este ano, a forte alta nos preços dos combustíveis encareceu o frete. O reajuste de diesel e gasolina foi consequência da disparada do petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia. A guerra também vai afetar o preço de fertilizantes, já que o Brasil importa muitos defensivos agrícolas russos, o que pode encarecer ainda mais os alimentos. 

Mas por que o tomate, entre todos os itens da feira, é o que mais tem subido nas últimas semanas?  

Para Braz, por ser um produto de preferência nacional, a demanda não cessa: como muita gente não abre mão, cabe a lei da oferta e da procura, e o preço sobe mais. Braz, no entanto, tranquiliza o consumidor. Mesmo que ele não chegue ao valor do ano passado, os aumentos tendem a cessar.

"Tomate, batata, cebola, alface, normalmente sobem no verão. Agora, no calor, o clima é hostil para muitas culturas. Fatalmente, o clima ou sabota a horta com chuvas ou danifica as estradas, o que também é um problema para a produção. Estrada inundada, atoleiro, atrapalha de levar o produto para vender", esclarece o economista. 

Já no começo do outono, a produção tende a se regularizar. Braz explica que quando o clima está seco, é possível irrigar a terra, mas os excessos do verão são desafios maiores para o produtor.  

Mas, se o clima tende a ajudar daqui para frente, a pressão dos combustíveis não deve dar trégua. "Não existe no radar uma queda dos preços dos combustíveis. Esse último aumento que aconteceu no meio de março provavelmente não vai ser revisto para baixo".

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