Alta foi a 11ª seguida
Felipe Moreno
Alta foi a 11ª seguida

O mercado elevou pela 11ª semana seguida sua projeção de inflação para 2022, atingindo o patamar de 6,86%, acima dos 6,59% esperados na semana passada. Os números constam no relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central (BC).

No caso dessa perspectiva se concretizar, o número ficará bem acima da meta de 3,5% para o ano, mesmo com o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

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O próprio Banco Central calcula, em dois cenários diferentes, alta probabilidade de descumprimento da meta de inflação em 2022. Em uma projeção com preço do petróleo mais alto, ficaria em 7,1%, já com preços mais baixos, ficaria em 6,3%, cenário considerado mais provável pela autoridade monetária.

Nessa situação, seria o segundo ano consecutivo de descumprimento da meta. Em 2021, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, enviou uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando a razão da inflação ter ficado em 10,06%, quando a meta foi de 3,75%.

Para 2023, a projeção de inflação é de 3,80%, acima da meta de 3,25% ao ano, mas ainda dentro do intervalo de tolerância. A expectativa vem subindo nas últimas três semanas.

Juros e crescimento

Com a sinalização da ata do Copom, que foi reiterada por Campos Neto múltiplas vezes durante a semana, de que o Banco Central prevê somente mais uma alta na taxa básica de juros, a Selic, para 12,75% e o fim do ciclo em maio, o mercado deixou de elevar suas projeções no Focus.

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O relatório mostra expectativa de Selic em 13% ao final do ano, mesmo número de semana passada. As projeções estavam subindo por conta dos efeitos da guerra entre Ucrânia e Rússia. Para 2023, o número também se estabilizou em 9%.

Para o PIB, o movimento de estabilização foi parecido. Em 2022, a expectativa de 0,5% vista na semana passada se manteve, enquanto para o ano que vem, a projeção continua sendo de 1,3%.

Atraso no Focus

A divulgação do Focus, que normalmente é realizada por volta das 8h30 todas as segundas-feiras, atrasou por conta das paralisações que os servidores do Banco Central têm realizado nas últimas semanas em um campanha por reajuste salarial. 

Os números então foram publicados às 10h. No entanto, a divulgação das estatísticas de setor externo marcada para este início de semana foram postergadas para uma data ainda não definida.


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