Paulo Guedes e Bento Albuquerque em coletiva no Ministério da Economia
EDU ANDRADE/Ascom ME 10.03.22
Paulo Guedes e Bento Albuquerque em coletiva no Ministério da Economia

O governo americano pediu formalmente ao Brasil que aumente a produção de petróleo. A solicitação partiu da secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, e foi dirigida ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Ao GLOBO, Albuquerque disse que o país está aumentando a sua produção gradativamente. O Ministério de Minas e Energia (MME) estima um crescimento de 70% nos próximos dez anos, chegando a 5,3 milhões de barris por dia, o que manterá o status de exportador do Brasil.

Com a guerra na Ucrânia, o Brasil vê novamente a oportunidade de ampliar a sua produção, para aproveitar o barril girando na casa de US$ 100 e num momento em que grandes potências (especialmente EUA e a União Europeia) querem reduzir a dependência do petróleo da Rússia — responsável por 12% da oferta mundial da commodity. Segundo especialistas, porém, essa mudança de patamar não é viável no curto prazo.

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Segundo Maurício Tolmasquim, ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, apenas cinco países teriam essa capacidade: Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kwait, Iraque e Rússia, com potencial de oferecer de 1 milhão a 1,8 milhão de barris diários a mais.

"O Brasil não tem armazenamento estratégico", explicou.

Atração de investimento

Albuquerque ressalta que as grandes petroleiras tiveram nos últimos três anos um decréscimo de produção de 9%. Segundo ele, “o Brasil aumentou sua produção em 14% de óleo e 22% de gás natural no período”.

"Foi isso que eu falei com a secretária. Nós já estamos nesse caminho de aumentar a produção. Até 2026, devem entrar em produção 15 plataformas de petróleo, com média de 200 mil a 250 mil barris por dia em cada estrutura", afirmou.

Fernanda Delgado, diretora-executiva do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), avalia que investir em produção está mais atraente, mas há um dilema para as empresas.

"As empresas também têm que dar retorno aos acionistas. Esse investimento não dá um retorno tão imediato quanto o senso comum indica", disse, ressaltando: "O Brasil é um atrator de investimentos neste momento."

Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais, avalia que, do ponto de vista estrutural, a crise pode beneficiar o Brasil. Ele lembra que, nos últimos anos, a Petrobras vem concentrando sua atuação na exploração, com o plano de vender refinarias e com a saída do segmento de distribuição.

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"Agora, com o barril na casa dos US$ 100, e deve continuar nisso pelos próximos tempos, há espaço para a Petrobras e outras empresas que fazem a extração de petróleo no Brasil ampliarem a produção", afirmou.

Transição energética

Em dezembro de 2015, o planejamento oficial do governo previa que o país terminaria 2021 produzindo 4,3 milhões de barris de petróleo por dia apenas em áreas já contratadas. Seis anos mais tarde, depois de uma forte crise econômica, de mudanças na dinâmica do setor de energia e da redução do preço da commodity na comparação com a década anterior, a produção brasileira de óleo ficou em 2,9 milhões de barris por dia. Mesmo entregando menos que o previsto, o país se firmou como um dos maiores produtores do mundo.

Larry Carvalho, especialista em logística, direito marítimo e agronegócio, acredita que o Brasil poderá elevar sua produção, mas a um custo de prospecção bastante elevado, por causa da profundidade.

"Algumas áreas somente possuem viabilidade econômica, a depender do preço do petróleo. Essa crise pode, sim, beneficiar o Brasil a curto prazo. Porém, sem dúvida, no médio e longo prazos ela acelera o processo de transição energética", afirmou.

A transição energética é destacada pelos especialistas como um processo inevitável. Tolmasquim afirma que a crise forçará uma aceleração nas mudanças no setor que vai beneficiar o Brasil.

"A transição para sair dos combustíveis fósseis deixou de ser apenas uma questão ambiental, para ser também uma questão de segurança nacional. O Brasil tem uma base de recursos naturais renováveis muito abundante e pode produzir energia elétrica a um preço muito baixo", disse Tolmasquim.

Lucena, por sua vez, afirma que o Brasil cresce na produção de hidrogênio verde, energia solar e eólica.

"Paralelamente a isso, a União Europeia deve sofrer sanções de produtos russos, principalmente gás, carvão, minério de ferro e petróleo. Isso significa que há possibilidade de o Brasil ser uma plataforma de exportação para a União Europeia desses insumos naturais" disse.

Mesmo entregando menos que o previsto, o país se firmou como um dos maiores produtores do mundo.

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