Agro deve sofrer com falta de fertilizantes e gargalo logístico
secretaria de agricultura e abastecimento/divulgação
Agro deve sofrer com falta de fertilizantes e gargalo logístico

As sanções impostas à Rússia devem afetar significativamente o setor agrícola brasileiro e o consumidor nos próximos meses. Numa espécie de efeito cascata, especialistas consideram que a guerra traz um choque adicional ao descompasso entre oferta e demanda já provocado pela pandemia, que provocou aumento no frete marítimo, falta de contêineres, além de custo maior pelas matérias-primas.

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Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra que os preços pagos pelo agronegócio brasileiro aumentaram até 5,8% em apenas uma semana. Instituto Brasileiro de Mineração diz que o país depende cada vez mais de insumos importados.

Cerca de 85% dos fertilizantes químicos usados na agricultura são importados, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos. José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), avalia que o nível elevado dos preços das commodities agrícolas — como é o caso da soja e do milho — pode contribuir para um superávit comercial brasileiro além do estimado.

"Nossa produção tem fertilizante e sem ele, não tem produtividade. Se isso levar à queda da produção, o risco é o preço da soja aumentar ainda mais. Vale lembrar que o Brasil é o maior produtor mundial de soja. Se a produção aqui cair, vai faltar produto em algum lugar, e o preço terá elevação ainda maior".

Castro avalia que a retirada de bancos do sistema internacional de pagamentos Swift pode fazer com que companhias de transporte não cheguem a determinados países, inviabilizando embarques de uma série de produtos.

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"Nesse momento, involuntariamente uma série de contratos serão descumpridos, e isso vira uma bola de neve. Além da falta de contêiner, vai se agravar a falta de navios. Os navios só vão atracar até determinado ponto se houver garantia de que vai receber o frete daquela mercadoria".

Fernando Cadore, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), a alta do fertilizante já encarece o custo da produção da safra 2022-2023 e deve se refletir nos preços ao consumidor:

"O preço já vinha numa ascendente, com valores nunca antes vistos na história, com altas de 200%, 300%. Agora, o agravamento da crise e a incerteza vão fazer com que o custo de produção, em muitos casos, seja inviabilizado. Isso impacta o produtor rural e chega na prateleira do supermercado".

Cesario Ramalho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho, destaca que os produtores têm lidado com os gargalos.

"Hoje o contêiner sai de Paranaguá, vai para um porto na Ásia e precisa esperar o navio ser carregado para voltar, porque não tem outro".

Em nota ontem, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) disse que, se o conflito se prolongar "poderá manter os preços em níveis elevados".

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