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Os seguros privados ganharam mais importância para os brasileiros com a circulação da Covid-19. Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), em 2020, frente a tantos cortes nos orçamentos familiares motivados pelas dificuldades econômicas no país, as receitas dos segmentos supervisionados conseguiram se manter praticamente estáveis (+,06%), em relação ao ano anterior. E em 2021, com a retomada dos índices de emprego, dispararam (+11,8%). Segundo cálculos feitos pelo EXTRA, a arrecadação nos últimos dois anos foi 12,01% superior ao montante do biênio de 2019 e 2018, período anterior à pandemia.

Os investimentos em seguros de pessoas e danos revelam como o cenário de insegurança e a mudança de comportamentos na rotina fortaleceram a busca por proteção através das apólices.

— Nestes dois últimos anos, o setor teve alguns desafios e muitas oportunidades. Afinal, o que é o seguro? Um mecanismo para se prevenir ou tentar minimizar consequências financeiras de um determinado risco. Logo, diante de um contexto que indica maior insegurança, é natural que as pessoas procurem mais por seguros, como ocorreu com o seguro de vida. Na pandemia, a finitude da vida ficou mais evidente — expõe Fernanda Paes Leme, coordenadora do curso de Direito do Ibmec Rio.

Comparando o último biênio com o anterior à pandemia, a arrecadação com os prêmios — preço pago pelo consumidor — de seguro de vida cresceram 18,86%. A psicóloga Mariana de Lucas, de 43 anos, contratou o seguro.

— Tenho três filhas, acabei perdendo meu emprego na pandemia, estava preocupada com elas e uma corretora de seguros me orientou: você vai ficar literalmente desprotegida? Então, não fiz uma apólice de valor alto, pois não tinha condições, mas fiz. Agora já consegui um trabalho e aumentei a apólice. Quando acabar o meu processo de reorganização financeira, quero torná-lo mais compatível com a minha renda — garante ela.

Entre os seguros de danos, um dos destaques foi o seguro compreensivo residencial — que apresentou variação de 17,25% nos biênios — impulsionado pela ampliação do tempo dos brasileiros em casa, o que fez com que eles valorizassem e desgastassem mais o espaço. Além disso, o home office multiplicou os riscos para as empresas no que se refere à segurança de dados armazenados, um tema ainda mais em evidência por conta do início da vigência da Lei geral de Proteção de Dados em 2021.

Sem dados de 2018, por ser uma novidade, o EXTRA considerou o salto de prêmios de seguros de risco cibernético de 2019 para 2021: 391,5%.

— Com relação ao seguro residencial, as seguradoras investiram muito na facilitação dessas contratações durante a pandemia, com a digitalização de processos. Outro ponto relevante foi a oferta de proteção comercial de atividades nas residências, tendo em vista que, por conta do desemprego, muitos transformaram suas casas em micronegócios. — diz Maria Alicia Peralta da FGV Conhecimento.

Aos interessados em buscar seguro, Maria Alicia adverte:

— É muito importante que as pessoas reflitam sobre seus projetos e objetivos de longo prazo, antes de contratar seguro. Para cada situação, como montar seu negócio, casar, ter filhos ou investir na educação destes, há uma composição de seguros que pode fazer mais sentido do que a outra.

Contratação pode ser feita em dois minutos

Depoimento de Amanda Nespatti, cofundadora e head de clientes da IZA Seguradora:

O mercado de seguros foi mudando, aos poucos, com a ajuda das chamadas insurtechs — empresas com forte viés tecnológico. Elas se propuseram a buscar um público antes não atendido pelas seguradoras tradicionais, facilitando o acesso a produtos por meio de plataformas digitais, muitas vezes sem intermediários, com vocabulário transparente e apólices mais adaptadas às necessidades do consumidor.

Autônomos, prestadores de serviço e profissionais liberais já conseguem contratar seguros que cobrem despesas médicas e hospitalares e que ajudam a pagar as contas enquanto a pessoa estiver afastada do trabalho devido a um acidente. São contratos que indenizam em casos de invalidez e que apoiam a família do segurado em caso de um acidente fatal.

A contratação desses seguros pode ser feita pela internet, em apenas dois minutos.

Proteção para a vida: a partir de R$ 5

Apesar da crise econômica, a procura por seguros de vida cresceu porque a população começou a enxergá-los como ferramenta de proteção, afirma a presidente da Comissão de Produtos de Risco da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Ana Flávia Ribeiro. Entre abril de 2020 e dezembro de 2021, o mercado segurador pagou R$ 5,9 bilhões em indenizações para vítimas de Covid-19.

— Tiveram muita procura as coberturas contra doenças graves e as que garantem a renda — conta Ana Flávia.

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Impactados pelas medidas de distanciamento social, os seguros viagem, que fazem parte do grupo vida, voltaram a ser bastante requisitados no ano passado, após um declínio em 2020. Assistência de saúde no exterior para Covid, estadias extras em hotel no caso de quarentena e remarcação de passagens têm sido as coberturas mais desejadas para o produto. No entanto, na hora de escolher, é preciso ler com atenção o contrato.

— Boa parte dos produtos já têm cláusulas específicas para eventos decorrentes de Covid, mas isso não é regra. É importante entender o que o seguro cobre, o prazo de carência e eventuais exclusões — alerta.

A maior concorrência entre as seguradoras tem ampliado o acesso dos consumidores, com a oferta de apólices por menos de R$ 5 mensais. Bernardo Castello, diretor da Bradesco Vida e Previdência, conta que há tanto opções mais simples, com cobertura por morte e assistência funeral, até outras mais sofisticadas:

— O custo de um tratamento de câncer pode chegar a milhares de reais. Com seguro de vida a partir de R$ 7,30 por mês, um jovem pode adquirir cobertura para doenças graves de até R$ 50 mil.

Carlos Eduardo Gondim, diretor de Vida e Previdência da Porto Seguro, destaca que cada vez pessoas mais novas vêm investindo na contratação desse produto:

— Em 2021, a maioria que contratou tinha entre 20 e 29 anos. Em seguida aparece a faixa etária entre 30 e 39 anos.

Residencial: ajuda até se cachorro morder vizinho

A arrecadação com prêmios de seguro compreensivo residencial, chamado popularmente de “seguro de casa”, aumentou 6,1% em 2020 e cresceu 15% somente no ano passado. João Fontes, da Subcomissão de Linhas Financeiras da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), explica o que a apólice cobre.

— A cobertura principal é contra incêndio e explosão de gás, que são sinistros mais raros, mas com grandes prejuízos. Há ainda apólices que cobrem queima de aparelhos por variação elétrica, danos por alagamento e roubo. Além disso, o seguro pode amparar o cliente em danos que atingem o vizinho, como vazamentos e até mordida do cachorro — diz Fontes, citando outros exemplos: — Há uma série de serviços de assistência que são cobertos, como os de chaveiro e encanador, e o público gosta.

No entanto, uma estimativa de dados divulgada pela Susep em 2020 apontava que apenas 15,8% das residências brasileiras eram seguradas.

— Mais de 80% não têm seguro. Isso mostra a oportunidade que existe e, ao mesmo tempo, o desafio — comenta Ivan Marcos dos Santos, superintendente de Seguros Massificados Tradicionais e Habitacional da Mapfre, para quem a desinformação é uma das barreiras ao crescimento do segmento: — As pessoas costumam comparar, sem conhecimento, ao seguro de automóveis. E acham que, se o seguro de um carro que custa 100 mil sai por R$ 3 mil, o seguro de casa vai custar 3% do valor dela. Mas é muito mais acessível. O desembolso médio gira em torno de R$ 400 ao ano.

O preço da apólice é definido a partir do valor financeiro de cada uma das garantias: no caso de um incêndio, por exemplo, há os custos da reposição da estrutura da casa e de seus bens.

A empresa oferece seguros personalizáveis, a partir de R$ 9,26 mensais, com coberturas para serem utilizadas em caso de falecimento ou em vida. O segurado pode, por exemplo, aproveitar dois benefícios exclusivos, como telemedicina, seguro viagem ou serviços de reparos domésticos.

Novidade dos últimos anos no mercado, o seguro contra risco cibernético parece ainda ser uma frivolidade para alguns. Segundo estudo da Accenture, menos de 15% das pequenas empresas no Brasil estão preparadas para agir caso seus sistemas sejam violados. Mas a preocupação deveria existir: elas são alvo em 43% dos ataques cibernéticos.

E os ataques não são raros.

— A sinistralidade em 2021 foi de 97%. Para cada real coletado pelas seguradores, houve um gasto de 97 centavos com sinistros. E em 2020, foi de 103% — diz Jarbas Medeiros, presidente da Comissão de Riscos Massificados da FenSeg.

A Zurich tem, por exemplo, o seguro Proteção Digital para pequenas e médias empresas (PMEs). O seguro pode arcar com respostas a incidentes, como despesas da crise causada por um vazamento de dados, despesas para recuperar base de dados e ativos digitais, e até questões de responsabilidade civil com clientes ou funcionários das empresas, pontua Hellen Fernandes, gerente de Linhas Financeiras da seguradora no Brasil.

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