Livraria Saraiva
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Os credores da Saraiva, que está em recuperação judicial, toparam adiar novamente a assembleia geral que vai votar um aditivo ao plano de recuperação da empresa. A nova data, aprovada por 83% dos credores, será em 7 de março.

A rede de livrarias, que já foi a maior do país, não consegue aprovar um novo plano de recuperação judicial porque não chega a um acordo com o Banco do Brasil, que detém quase um quinto de uma dívida de cerca de R$ 700 milhões. Sem a concordância do BB, são grandes as chances de o plano não passar e a rede se aproximar da falência.

Segundo interlocutores, as duas opções postas na mesa pela Saraiva desagradam ao BB. O plano prevê que uma das alternativas para os credores é aceitar 80% de deságio e receber o restante em ações da holding da Saraiva — algo que estaria fora de cogitação para o banco, de acordo com advogados que acompanham o processo.

A outra opção seria abrir mão do deságio, mas receber em suaves prestações até 2048 — e amargar cinco anos de carência sem ver nenhum centavo.

A alternativa mais atrativa para o Banco do Brasil no momento, segundo pessoas familiarizadas com o tema, é se desfazer dos créditos que detém da Saraiva. O banco estatal estaria negociando transferir os créditos a outra instituição financeira.

Procurado, o banco diz que "continua procurando uma alternativa junto à empresa e aos demais credores, mas não pode comentar sobre os andamentos das negociações".

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A data da nova assembleia é 7 de março, o que ficaria fora do prazo estipulado pela lei de falências. Com isso, vai depender do juiz Paulo Furtado, da 2ª Vara de Falências de São Paulo, decidir se a assembleia pode ser realizada ou se o adiamento é irregular.

O adiamento foi proposto porque a Saraiva não conseguiu interessados em comprar seus ativos nas tentativas de leilão que realizou no ano passado. A venda estava prevista no plano de recuperação judicial como forma de levantar recursos para pagar os credores.

Segundo o administrador judicial do caso, Ronaldo Vasconcelos, os credores já aceitaram os deságios propostos pela empresa.

"A questão agora é como transformar os ativos da companhia, como lojas e créditos de ICMS, em dinheiro para quitar parte das dívidas", afirma.

A Saraiva está sem presidente desde a saída do executivo Marcos Guedes, em janeiro. Mesmo com as dificuldades financeiras da rede, nenhum credor pediu a falência da empresa no processo.

A Saraiva está em recuperação judicial desde 2018 e já alterou seu plano de recuperação judicial na pandemia, em uma oferta que aumentou os deságios médios a 80%. Mesmo assim, a empresa segue com problemas: teve prejuízo de 15,7 milhões em 2021.

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