Consignado pode gerar dívida de até 12 anos, alertam especialistas
Max Leone
Consignado pode gerar dívida de até 12 anos, alertam especialistas

Os servidores do município do Rio têm que ter atenção redobrada na hora de contratar empréstimo consignado para não caírem no superendividamento. Isso porque o prazo para o pagamento pode chegar a 144 meses. Antes da pandemia de coronavírus esse prazo estava em 120 meses, informou a Prefeitura do Rio. O prazo maior com prestações menores facilita o pagamento e pode ser tentador mas, segundo economistas, é arriscado por conta do endividamento prolongado. Para se ter uma ideia o Santander, que paga a folha municipal, oferece pagamento em até 12 anos, com taxa de 1,74% ao mês. Já o consignado para não servidores permite o parcelamento da dívida em até 72 meses, ou seja, seis anos, a metade do tempo oferecido pelo Santander.

Segundo o economista do Ibmec e professor da Fundação D. Cabral, Gilberto Braga, esse tipo de empréstimo de longo prazo é arriscado porque se assemelha a um crédito habitacional sem que a pessoa esteja, de fato, adquirindo algum bem.

"É perigoso, compromete o salário por quase uma eternidade, sendo um recurso só recomendado para quem está superendividado e não tem mais como gerenciar o momento atual. Nessa hipótese, o funcionário recontrata a operação, alongando o prazo e incluindo todas as dívidas que tem para tentar respirar financeiramente", explica o professor.

Ele dá a dica para o servidor:

"Deve-se entender que é um recurso que só deve ser usado em caso extremo e não deixar se levar pela cantilena das financeiras, que provavelmente vão oferecer dinheiro novo e desconto mensal de valor menor."

O educador financeiro Alexandre Prado complementa que é preciso pesquisar antes da contratação do crédito e orienta o servidor ao não contratar já na primeira oferta. E faz o alerta:

"Avalie o motivo da contratação se para pagar algo pontual, para comprar um bem durável ou para um produto supérfluo e não contrate mais do que precisa."

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Ele chama atenção para o prazo mais longo por conta da aposentadoria.

"O poder aquisitivo pode ser reduzido. Ou seja, é preciso avaliar no futuro a capacidade de pagar."

Respostas

Questionada sobre um prazo tão longo, a Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento do Rio informou que "o prazo de pagamento do empréstimo consignado foi alterado em 2020 como forma de permitir que o servidor pudesse alongar suas dívidas e com isso pagar parcelas menores, trazendo assim um alívio no momento de pandemia, dado que uma parcela menor da renda mensal estaria comprometida com o pagamento de empréstimo".

A secretaria explicou ainda que esse prazo é regulado atualmente pela própria pasta e pode ser revisto a qualquer momento. Vale lembrar que a taxa de juros praticada para os servidores da Prefeitura do Rio (1,74% ao mês) é inferior à taxa média praticada pelos bancos para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que é de 2,14% a.m.

Já a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que "cada convênio tem a prerrogativa de estabelecer o prazo de pagamento das parcelas, lembrando que o cliente pode escolher aquele que melhor lhe atenda, dentro do limite máximo estabelecido".

O Banco Central não havia respondido, até o fechamento desta edição, se há algum órgão ou departamento que regule esse prazo no caso de servidores públicos, a exemplo do que feito pelo Conselho de Previdência em relação ao INSS.

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