Maksoud Plaza
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Maksoud Plaza

Com as portas fechadas desde a manhã do último dia 7 de dezembro, após 42 anos de funcionamento, o hotel Maksoud Plaza em área nobre do bairro Bela Vista, em São Paulo, teve o prédio lacrado e seus móveis recolhidos por uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O fechamento do hotel, para surpresa dos funcionários, se deu após uma crise que se arrasta há mais de uma década e envolve litígios societários, passivos trabalhistas e dívidas com fornecedores.

O empreendimento está em recuperação judicial desde o ano passado. Os cerca de 170 funcionários do cinco estrelas já haviam recebido há dias a orientação de que não deveriam aceitar reservas para depois do dia 7, mas tiveram a confirmação oficial do encerramento das atividades primeiramente pela imprensa.

A decisão, de acordo com o jornal "Folha de S. Paulo", suspende também, temporariamente, a entrega do prédio aos irmãos Fernando e Jussara Simões, que arremataram o imóvel em 2011 durante um leilão. O pedido foi feito pelos irmãos Claudio e Roberto Maksoud, filhos do fundador do hotel, Henry Maksoud, e aceita pelo desembargador Araldo Telles, da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial. A suspensão da transferência aos irmãos Simões vale até o dia 30 de janeiro de 2022.

A decisão da Justiça pede ainda que valores depositados pelos novos donos do prédio também passam a ter que ser feitos em juízo, dentro do processo de recuperação judicial.

Em sua sentença, o desembargador afirma que o acordo fechado quando o imóvel foi arrematado na Justiça do Trabalho previa que administradora judicial responsável pela gestão do hotel ficaria com o imóvel até 28 de abril de 2022, em regime de comodato, e que a entrega precoce resultaria em um acréscimo de R$ 10 milhões no valor pago pelos Simões pelo prédio (R$ 132 milhões). Tal antecipação era prevista para o fim de janeiro e não agora neste mês. A mudança na data, de acordo com a decisão, justifica a suspensão na ordem de entrega.

"Mostra-se razoável atender apenas em parte o pedido de tutela antecipada recursal, com a suspensão da ordem de entrega do imóvel aos arrematantes até o dia 30 de janeiro de 2022, tempo suficiente para o magistrado de primeira instância ponderar as justificativas das devedoras e decidir sobre o assunto", escreveu o desembargador.

Na lista de hóspedes ilustres, Thatcher e João Gilberto

Inaugurado em 1979, chegou a hospedar grandes artistas, políticos e empresários.

Na lista de ex-hóspedes ilustres, estão a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, o então secretário-geral da ONU Kofi Annan, o cantor João Gilberto, e as bandas de rock Rolling Stones e Guns N’Roses.

O hotel também já recebeu shows de Frank Sinatra e Julio Iglesias. A estimativa da companhia é de que mais de 3 milhões de pessoas tenham se hospedado ali em 42 anos de operação.

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A empresa está em recuperação judicial desde setembro do ano passado, quando listou dívidas de R$ 82 milhões. Nos autos, o hotel atribuía à pandemia o fracasso do empreendimento, embora a crise da marca precedesse em ao menos uma década o surgimento do coronavírus.

O hotel foi administrado em seus anos finais por Henry Maksoud Neto, neto do fundador da marca, morto em 2014. Henry Neto trava uma briga com o pai, Cláudio Maksoud, e o tio, Roberto Maksoud, pela herança.

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O passivo das controladoras do hotel, Hidroservice e HM Hotéis, chega a R$ 845 milhões. A dívida renegociada na reestruturação das empresas chega a R$ 300 milhões, incluindo dívidas em disputa judicial e com o fisco, que não entram na recuperação judicial. No processo judicial, os débitos submetidos ao plano foram reduzidos de R$ 110 milhões para R$ 60 milhões.

O fim definitivo das operações do hotel ocorre após um acordo entre Henry Neto e os irmãos Jussara e Fernando Simões, controladores do grupo JSL, de logística e transportes.

Os Simões arremataram o prédio do hotel em 2011 por cerca de R$ 70 milhões em um leilão judicial que foi realizado para quitar uma dívida trabalhista de R$ 13 milhões.

O hotel e Henry Neto iniciaram, então, uma briga para anular o certame, sob o argumento de que, na data de sua realização, o passivo trabalhista já havia sido quitado.

A assessoria de Henry Neto afirmou ao GLOBO que o acordo foi proposto inicialmente pelo juiz à frente da recuperação judicial como forma de destravar a venda de outros imóveis da empresa insolvente em leilões.

Os Simões, ainda segundo representante de Henry Neto, assentiram em fazer a correção monetária do valor do lance que vencera o leilão de 2011. Ao todo, vão pagar pelo imóvel R$ 132 milhões. Não se sabe o destino que os novos donos darão ao local.

Os demais leilões de ativos seriam realizados no primeiro semestre de 2022 e incluem imóveis em Manaus e na região metropolitana de São Paulo.

O valor arrecadado nos certames será usado para pagar dívidas do Maksoud Plaza, que terminará o processo praticamente sem ativos, apenas com a marca.

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