Banco Mundial alerta para dívida de países pobres, que cresceu 12% em 2020
ESTADÃO CONTEÚDO
Banco Mundial alerta para dívida de países pobres, que cresceu 12% em 2020

O Banco Mundial divulgou um relatório nesta segunda-feira (11) que mostra que a dívida dos países pobres subiu 12% em 2020, atingindo um recorde de US$ 860 bilhões, à medida que as nações lançavam pacotes de estímulo fiscal, monetário e financeiro em tentativa de conter a crise causada pela Covid-19. O presidente da instituição, David Malpass, pediu medidas urgentes para ajudar esses governos a aliviar os débitos. 

"Muitos países em desenvolvimento já começaram 2020 em vulnerabilidade, com a dívida externa pública já em níveis elevados", e então os chefes de Estado forneceram uma relevante quantidade de recursos para tentar conter o vírus e suas consequências econômicas, explica o relatório.

Recuperação Econômica

Em comunicado que acompanha o novo relatório Estatística da Dívida Internacional 2022, Malpass pediu "um plano integral" para tratar a questão. "Precisamos de uma abordagem abrangente para o problema, incluindo redução da dívida, reestruturação mais rápida e maior transparência". "Níveis de débito sustentáveis ​​são vitais para a recuperação econômica e redução da pobreza", acrescentou. 

Malpass ressaltou que os esforços de reestruturação da dívida são urgentes devido ao vencimento, no fim deste ano, da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês) do Grupo dos 20 países mais industrializados do mundo (G20), lançada pelo grupo no início do ano passado para permitir aos países adiar o pagamento dos débitos em meio à pandemia.

"O mundo deveria pensar no que fazer depois de 1º de janeiro", disse Malpass, defendendo que a continuação do DSSI "é algo que deve ser considerado", porque "o risco agora é que muitos países saiam da crise da Covid-19 com uma grande dívida pendente que pode levar anos para ser administrada".

O relatório mostra que a deterioração nos indicadores de débito é algo generalizado, afetando países em todas as regiões e todos de renda baixa e média renda. 

Carmen Reinhart, economista-chefe do Banco Mundial, disse que "As economias em todo mundo estão enfrentando um grande desafio representado pelos níveis de dívida altos e crescentes" e isso pode piorar com o aumento dos juros. 

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Ela completou: "Os formuladores de políticas devem estar preparados para a possibilidade de superendividamento quando as condições do mercado financeiro se tornarem menos favoráveis, especialmente em países emergentes e em economias em desenvolvimento".

O documento indicou que se somados os países de renda média, o acumulado da dívida externa cresceu 5,3% em 2020, atingindo US$ 8,7 trilhões. O aumento foi comparável ao registrado em 2018 e 2019, pelo ritmo anual. "Para muitos países, porém, a alta foi de dois dígitos", alerta a declaração. 

Segundo o relatório, o aumento do débito foi maior que a Renda Nacional Bruta (RNB) e o crescimento das exportações, com a proporção dívida externa/RNB, excluindo a China, elevando cinco pontos percentuais em 2020, chegando em 42%, enquanto a proporção dívida/exportação subiu para 154% em 2020, ante 126% em 2019.

Transparência

"É necessária uma mudança em grande escala na abordagem da transparência dos déficits para ajudar os países a avaliar e administrar seus riscos de dívida externa e trabalhar em direção a níveis e condições de débito sustentáveis", enfatizam economistas do Banco.

David Malpass e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, defendem que uma maior transparência de dados é essencial para resolver o problema e principalmente para negociar com os credores.


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