Bancos afirmam que Amazônia vale mais em pé do que derrubada
AFP
Bancos afirmam que Amazônia vale mais em pé do que derrubada

Para os presidentes dos maiores bancos privados do país, preservar a Amazônia não é apenas uma questão ambiental, mas também de negócios. Foi pensando nisso que, há pouco mais de um ano, em junho de 2020, Bradesco, Itaú e Santander lançaram o Plano Amazônia, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável da região. Nesta sexta-feira, durante o evento Bioeconomia em Foco, as instituições fizeram um balanço do que vem sendo realizado nesses últimos meses.

"Temos uma obrigação com a sociedade brasileira de fazer alguma coisa, e não tem a ver com caridade, isso para nós é business",  disse Octavio de Lazari, CEO do Bradesco.

"A partir desse mercado organizado, imagine o quanto tem de riqueza no Brasil, de tantas empresas no mundo que precisam compensar suas emissões (de carbono), o quanto de recursos financeiros podem vir para este bioma, fruto da preservação que a gente pode fazer na floresta amazônica", concluiu.

O executivo disse ainda que é possível produzir e gerar riqueza de forma sustentável, e beneficiando a população local. Citou como exemplo um financiamento que os três bancos fizeram recentemente para uma empresa da região que tinha como projeto adquirir uma balsa movida a energia solar para recolher o açaí coletado de forma responsável pelos ribeirinhos.

"Essas pessoas recolhem o açaí, mas normalmente não têm como armazenar, então vendem para os atravessadores por um preço muito baixo. Através desse negócio eles vão receber mais que o dobro, e perceberão que vale a pena fazer uma colheita sustentável", explicou Lazari.

Presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho afirmou que este primeiro ano do Plano Amazônia foi de "muito aprendizado", e com a definição de quatro principais linhas de atuação: indústria frigorífica, culturas sustentáveis, regularização fundiária e bioeconomia.

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Ele destacou a importância da Amazônia para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a transição para uma economia de baixo carbono, e disse que é preciso reconhecer que as questões ambientais não são mais uma responsabilidade do Estado, mas também das empresas e cidadãos.

"É preciso construir políticas pautadas em dados científicos e combater fortemente o desmatamento ilegal, que já atinge 17% do território amazônico. Precisamos usar a tecnologia e o capital disponíveis para desenvolver um modelo que seja capaz de consertar o que já destruímos", afirma Maluhy Filho.

Para o CEO do Santander, Sérgio Rial, "a floresta vale muito mais em pé do que desmatada", e é preciso que o setor financeiro reflita sobre como pode contribuir para essa preservação.

"Historicamente, os bancos transitavam onde o PIB existia, e não onde as pessoas e as necessidades de futuro eram prementes, isso ficava a cargo dos bancos de desenvolvimento. Temos que trazer para cada um de nós a responsabilidade dessa agenda ambiental".

O executivo afirmou ainda que os bancos têm dialogado com a indústria frigorífica, que avalia ser possível oferecer mais transparência para sua cadeia de produção, com a possibilidade de rastrear o processo de criação e abate dos animais, além da preservação da floresta. No entanto, Rial aponta que uma política de desmatamento zero é considerada "mais para a frente".

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