Ministro da Defesa, Walter Braga Netto
Reprodução: iG Minas Gerais
Ministro da Defesa, Walter Braga Netto

Um relatório produzido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que R$ 4,1 milhões destinados ao combate à pandemia foram desviados para as Forças Armadas . Outros R$ 9,6 milhões  possuem "pendência de comprovação" se foram mesmo usados para combate à Covid-19. O documento foi obtido com exclusividade pelo jornal O Globo.

Entre os gastos estão reforma de imóveis, compra de micro-ônibus e aquisição de itens como mochila, porta-celular, coletes e bandeira. No relatório, são apontados gastos com troca de pisos e telhados em batalhões que sequer tem pessoal. O montante desviado é 1% do total destinado para os militares combaterem a doença R$ 435 milhões. 

"O acompanhamento avaliou cinco riscos relevantes inerentes à execução de uma ação desse porte em um prazo tão curto: desvio de finalidade; dispensa indevida de licitação; restrição à competitividade; aquisições ineficazes, que não atendem à necessidade emergencial de saúde; e aquisições em quantitativos incompatíveis com as reais necessidades", avaliou o relator Augusto Scherman Cavalcanti.

Constam, ainda, gastos da Marinha e do Exército com "equipamentos e materiais de manobra e patrulhamento" (R$ 960 mil e R$ 44,6mil, respectivamente). Foram comprados itens como coletes, mochilas, porta-celular e bandeiras

"Constata-se que houve desvio de finalidade nas despesas no montante de R$ 44.600,68. Tais despesas também caracterizam infração à Diretriz Estratégica para Obtenção e Recuperação de Capacidade para a Operação Covid-19 e o Custeio das Operações, do Comando de Operações Terrestres", diz o ministro do TCU sobre o Exército.

Já entre os gastos com "pendência de comprovação", estão R$ 97,2 mil com sorvetes, refrigerantes e salgados "típicos de coquetel" pelo Comando de Operações Terrestres. 

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"Alimentos que, em razão de seu baixo valor nutritivo, muito provavelmente não foram utilizados para o reforço alimentar da tropa empregada na Operação Covid-19", diz o TCU

A Marinha, por sua vez, comprou 67 notebooks, poltronas mesas para computador e racks. Para o ministro do TCU, "as informações fornecidas são insuficientes para comprovar o vínculo causal entre as aquisições de diversos mobiliários e as ações de emergência".

No total, a Marinha é campeã dos gastos sob análise do TCU, com R$ 7,2 milhões; seguida pelo Exército, com R$ 5,6 milhões; e pela Aeronáutica, com R$ 685,6 mil. Outros R$ 300 mil foram usados pelo Hospital das Forças Armadas.

Vale lembrar que as Forças Armadas também são acusadas de desvio de R$ 130 milhões do SUS (Sistema Único de Saúde) . E que  se recusaram a fornecer leitos hospitalares para civis que necessitassem de assistência médica. 

Segundo O Globo, em resposta ao Tribunal de Contas, as Forças disseram que vão apurar os casos.


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