Netas e filhas de líderes da ditadura recebem ‘herança’ de até R$ 43 mil

Lista de pensionistas também inclui filhas e viúvas de sete ex-ministros e um ex-chefe do SNI

Foto: Arquivo Brasil
Médici foi presidente do Brasil de 1969 a 1974 no período da ditadura militar

O governo federal paga até R$ 43 mil mensais como pensão a parentes de ex-presidentes da ditadura militar. Em 2020, a União desembolsou cerca de R$ 19,3 bilhões para dependentes de militares. A informação foi divulgada pelo colunista Guilherme Amado, do site 'Metrópoles'.

Além de netas, filha, sobrinha e nora de ex-presidentes da ditadura, a lista de pensionistas também inclui filhas e viúvas de sete ex-ministros e um ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI).

Por determinação do Tribunal de Contas da União, o governo Bolsonaro deveria ter publicado os dados em janeiro de 2020. Entretanto, após um ano e meio de atraso, o balanço foi divulgado. O pagamento aos pensionistas é previsto por um direito adquirido, portanto, não há ilegalidade nesses repasses.

O marechal Humberto Castello Branco, primeiro presidente da ditadura militar, de 1964 a 1967, é o recordista em parentes pensionistas. Suas três netas, Heloisa, Cristina e Helena Alvim Castello Branco, receberam R$ 92 mil em 2020, uma média de R$ 7,6 mil mensais.

Artur Costa e Silva, segundo presidente do Brasil durante o período da Ditadura Militar, governando o país de 1967 a 1969, tem uma nora na lista de pensionistas, Anna Eulina da Costa e Silva. Ela recebeu R$ 524 mil em 2020 como dependente de seu marido, Álcio Barbosa, filho do ex-presidente.

Cláudia Candal Médici, neta de Emílio Médici, general que presidiu o país de 1969 a 1974, recebeu R$ 392 mil como pensionista no ano passado. Ela faturou, em média, R$ 32,6 mil ao mês.

Já o general Ernesto Geisel, que ocupou o Planalto de 1974 a 1979, tem uma sobrinha pensionista, com vencimentos de R$ 384 mil em 2020, uma média de R$ 32 mil por mês. A pensão é feita em nome do pai de Lydia Geisel, o general Orlando Geisel, irmão do ex-presidente e que foi ministro do Exército na gestão Médici, de 1969 a 1974.

Além dos ex-presidentes, pelo menos outros oito militares de alta patente, também da cúpula da ditadura militar, têm filhas ou viúvas como pensionistas.


Estão na lista o tenente-brigadeiro Joelmir Campos de Arararipe Macedo, ministro da Aeronáutica entre 1971 e 1979, o general Fernando Belford Bethlem, o almirante Maximiano Eduardo da Silva Fonseca e quatro ministros generais, Hugo de Andrade Abreu, Gustavo Moraes Rego Reis, Danilo Venturini e Rubem Carlos Ludwig. Apesar de não ter tido status de ministro, o general Octávio Aguiar de Medeiros contava com prestígio no governo Figueiredo e possui pensionistas. Ele comandou o Serviço Nacional de Informações (SNI), de 1979 a 1985.

Ao todo, somada as despesas com os ex-militares e líderes do governo na época da ditadura, foram gastos mais de R$ 2,8 milhões em pensões em 2020.