Criação de memes pode render dinheiro
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Criação de memes pode render dinheiro

Você abre o WhatsApp e responde à brincadeira de um amigo com uma figurinha engraçada. Vai para o Instagram e curte o post de uma página especializada em humor. No Twitter, um tweet com milhares de comentários está bombando e já existem diversas paródias dele. Sim: em poucos minutos na internet, já foi possível (e é possível, a todo momento) interagir com vários memes. 

Seja uma imagem, um vídeo ou gif, os memes são uma forma de se comunicar na internet. Eles são replicadores - alguém posta algo (normalmente em tom de humor), outra pessoa vê e adapta para o seu cotidiano, atingindo outro público de internautas e, entre eles, um replica de outra forma… e assim o conteúdo é espalhado pela internet inteira, muitas vezes  quebrando barreiras de países ou de linguagem. Outra característica importante do meme é o amadorismo. Mesmo que depois do boom o meme possa ser profissionalizado, o primeiro momento é sempre de uma forma espontânea, sem muito esforço. 

Um exemplo recente na internet é o caso da Cabeleireira Leila. Um vídeo do humorista Eduardo Sterblitch se tornou febre em 2020, imitando um comercial de cabeleireiros, com cortes rápidos e uma vibe non sense (cabelos, unhas, hidratração e unhas - como esquecer?). Logo, o áudio foi usado em cima de outros vídeos, diversas pessoas criaram a sua versão do “comercial” e esse era o assunto da vez nas redes sociais. A brincadeira foi tão longe que até o Burger King se apropriou da conversa online para fazer sua própria versão do vídeo. 

No entanto, a palavra meme não foi usada pela primeira vez neste sentido. Em 1976, o geneticista Richard Dawkings cunhou o termo como uma informação cultural, assim como um gene é uma informação genética. “Os memes trazem consigo uma história de relação das pessoas com os meios de comunicação, mesmo antes da internet, que também é de circulação memética, como por exemplo bordões de novelas ou de programas humorísticos”, explica Rafael Grohmann, professor de comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e coordenador do laboratório de pesquisa DigiLabour. “Acoorda, menina”, “Haja coração!” e “Quem sabe faz ao vivo”. Não precisamos nem dar créditos para as três frases, que são bordões usados há anos no vocabulário brasileiro, nas mais diversas situações.  Ana Maria Braga, Galvão Bueno e Faustão criaram conteúdos meméticos antes mesmo da internet popularizar esse tipo de conteúdo. 

Em 1998, o site Memepool resgatou esse termo para usá-lo online, da forma que conhecemos hoje. Aqui no Brasil, em 2009 o YOUPix criou a “Memepédia”, uma enciclopédia de memes que mapeava tudo o que viralizava no país. 

Visando entender um pouco mais sobre como esse termo chegou no sentido em que usamos hoje, nosso time de roleta online montou um infográfico com a linha do tempo dessa palavra. Confira!

Alguns bons anos se passaram e, hoje em dia, não há quem não se comunique com memes. Na pesquisa “In meme we trust”, criada pela Globosat, foi confirmado que 85% dos brasileiros costumam consumir memes na internet. Com uma base de mil entrevistados em todo o Brasil, das classes A, B e C, a pesquisa descobriu que esta forma rápida e divertida de trazer informação serve também como fonte de notícias: 73% das pessoas responderam que já se informaram de uma novidade na política por conta de um meme. “Por meio deles conseguimos entender um pouco da nossa cultura, de relações políticas e de interações sociais.  É um olhar para entender as contradições e as complexidades da sociedade que vivemos”, diz Grohmann. 

Mas, vale lembrar que, no final das contas, esse tipo de conteúdo é baseado no humor e descontração - 63% daqueles que fizeram parte da pesquisa procuram memes para se distrair e 75% acreditam que eles ajudam a reduzir o estresse diário. Por isso, o professor reforça: “Não podemos supervalorizá-los ou acreditar que os memes são protagonistas em discussões sociais”.

Eu virei um meme, e agora?

Com a rapidez da internet, os memes são criados em questão de segundos. Por isso, da noite para o dia, uma pessoa comum pode se tornar uma web celebrity. Foi isso que aconteceu com Alana Azevedo, jornalista de 29 anos, em janeiro deste ano. Em uma brincadeira no seu Twitter, Alana disse que havia sido “cortada” do Big Brother Brasil horas antes de entrar na casa. Chico Barney, colunista do UOL, entrou na brincadeira e a chamou para uma entrevista em uma live no Instagram. Na entrevista ao vivo, Alana seguiu a personagem, que estava muito magoada com a emissora Globo e resolveu criar o seu próprio canal, a “Globe”. 

“A gente não tinha nada planejado, eu estava falando altos absurdos”, diz Alana. Logo, o vídeo viralizou, diversas pessoas começaram a compartilhar, principalmente pela forma séria que a jornalista encenava sua personagem, em contraste com o escritor Chico Barney segurando o riso. “Algumas matérias saíram levando aquele 'anúncio' a sério, achando que eu era doida. Obviamente, foi tudo uma grande brincadeira, mas aí eu percebi que tinha estourado a minha bolha da internet e aquilo tinha tomado uma proporção gigante”.

Você viu?

Nesse momento, Alana ganhou muitos seguidores em todas as suas redes sociais e se viu tendo que conciliar o trabalho com a internet - já que seus novos fãs queriam interagir com ela, mandavam mensagens e comentários. “Foi um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo, tive que ter um jogo de cintura e até me gerou um pouco de ansiedade”, diz Alana. “Mas deu tudo certo”. Tão certo que, apenas em dois dias, a zoeira já havia chegado na própria Rede Globo e o Globo Esporte fez uma brincadeira no encerramento do programa, colocando o logo “Globe” nos créditos. 

De lá para cá, empresas procuraram a jornalista para parcerias e publicidade, novas oportunidades apareceram e Alana até saiu do seu emprego para se dedicar exclusivamente a internet. E o movimento ousado valeu a pena: recentemente, o Multishow (canal que faz parte da Rede Globo) a convidou para o seu próprio programa no Youtube, chamado Humore Multishom. “Eu nunca imaginei que isso iria acontecer comigo, que eu teria a oportunidade de trabalhar com a internet - tudo que eu fiz antes foi sem esperar nenhum retorno financeiro, era só uma brincadeira”, finaliza. 

NFT - o meme milionário
Não é só com contratos publicitários ou propostas de emprego que um meme pode gerar dinheiro ao seu criador. Recentemente, memes clássicos da internet foram vendidos em forma de NFT, a tecnologia do momento no meio da arte e internet. 

Se você não sabe o que significa NFT, não se preocupe. A sigla vem do inglês Non-Fungible Tokens e é traduzida para tokens não fungíveis, ou seja, que não podem ser substituídos por outro de mesma natureza (espécie, qualidade e quantidade). 

“Pense num NFT como análogo a um certificado único de autenticidade semelhante ao que você receberia ao comprar um produto muito exclusivo ou único, por exemplo um quadro ou uma obra de arte”, explica Ricardo Correia, co-fundador e COO da genesis.studio, uma empresa portuguesa especializada em tecnologia blockchain. De acordo com Correia, a diferença é que enquanto os certificados tradicionais são em papel, um NFT é seu equivalente digital, e é escrito numa blockchain - uma espécie de base de dados pública que não pode ser adulterada.

Em 2021, o termo se tornou popular porque colecionadores começaram a conseguir NFTs de imagens digitais de arte - e também de memes! O criador do Twitter, Jack Dorsey, vendeu em março deste ano o primeiro tweet da história por um valor exorbitante de 2,9 milhões de dólares. A compra foi feita pelo empresário Sina Estavi, na Malásia. "É importante distinguir que um NFT é um certificado digital único referente a um bem, mas não é o próprio bem. Ou seja, um NFT não será um quadro ou um tweet mas poderá ser o registo único digital desse quadro ou desse tweet”, sinaliza Correia. 

Jack não foi o único a levantar uma bolada pelo seu feito na internet. “Personalidades” digitais mundiais, como criador do Nyan Cat (um gif em 8bit de um gato futurista) a humorista que criou a personagem da Namorada Ciumenta e até mesmo a menina que protagoniza a foto de uma criança com olhar sapeca para um incêndio também venderam os memes que os tornaram famosos com um NFT. Veja no infográfico abaixo quanto eles receberam! 

É justo dizer que os memes dominaram o mundo: de fonte de informação, a reflexo da sociedade e movimentação da economia, parece que essa forma descontraída de passar uma mensagem virou uma grande parte da vida atual. Afinal, o mundo já é duro o bastante e vale a pena dar boas risadas daquele vídeo engraçado que um amigo encaminhou no grupo dos amigos, não é mesmo? 

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