Lojas Americanas
Osni Alves
Lojas Americanas

As Lojas Americanas S.A. e a B2W anunciaram na noite desta quarta-feira (28) a fusão das suas operações, que dará origem à nova empresa americanas s.a.

A fusão já foi aprovada pelos conselhos de administração das duas empresas e será votada nas assembleias gerais extraordinárias no dia 10 de junho .

Na segunda etapa da operação, a Lojas Americanas S.A. pretende criar um veículo no exterior para listagem nos Estados Unidos, que se chamará Americanas Inc.

"Essa fase tem como objetivo elevar a história de investimento da companhia para um patamar global e promover o alinhamento estratégico de longo prazo com os acionistas. A estimativa é que esta fase seja concluída em menos de 1 ano", informou a B2W por meio de nota.

Na Bolsa de SP (B3), a ação da B2W (BTWO3) passa a ser AMER3, mantendo a listagem no Novo Mercado.

Fabio Abrate, diretor Financeiro e de Relações com Investidores, disse que a combinação dos negócios cria um poderoso motor de fusão e aquisição.

"Vamos listar a Lojas Americanas nos Estados Unidos na Nyse ou na Nasdaq como veículo de investimento para atrair investidores com cabeça de mais longo prazo."

Segundo ele, o o objetivo das companhias combinadas é conseguir atender o cliente de forma mais rápida e conveniente. Ele citou ainda o apetite por fusões e aquisições:

"Com os dois negócios combinados, esse motor de fusões ganha celeridade maior. Fica mais fácil de mapear potenciais ativos e integrar esses ativos numa companhia combinada. Um dos objetivos da combinação é acelerar a frente de fusões e aquisições."

Musculatura e oportunidade nos EUA

Além de formar uma varejista com forte presença física e on-line, capaz de enfrentar a concorrência de gigantes como Magalu e Via Varejo, a possibilidade de ter a holding Americanas Inc listada nas bolsas dos Estados Unidos é outro ponto positivo da fusão, na avaliação de Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Segundo ele, o mercado norte-americano vem pagando prêmios elevados e com frequência “até estável” para empresas de e-commerce, tecnologia e fintechs, que é o que o grupo vai apresentar.

Americanas já controlava B2W

A B2W é atualmente controlada pelas Americanas, com 62,5%. A varejista on-line vem ganhando maior importância com a digitalização do setor, acelerada pela pandemia.

Juntas, as empresas possuem uma rede de cerca de 1.700 lojas físicas em 750 cidades do país e um marketplace online com mais de 87 mil vendedores.

Para Esteter, os efeitos da fusão deverão ser sentidos nesta quinta-feira na Bolsa, com a possibilidade de altas acima de dois dígitos. Segundo ele, o mercado vê com bons olhos a operação, que pode elevar a eficiência da companhia, com redução de custos para as empresas na integração das operações, além de ganho de escala em diferentes frentes.

"Quando saiu a notícia de que havia a possibilidade de união dos negócios, em fevereiro, a gente viu os papéis disparando duplos dígitos. E hoje vimos uma performance sólida, com a B2W subindo 2%, a Americanas subindo entre 2% e 3%, mas é difícil dizer que houve uma antecipação, apesar de ter sido um dia positivo. Talvez na quinta-feira a gente veja um movimento mais agressivo."

Bruno Ozelame, sócio e estrategista de alocação da Ável Investimentos, ressalta que como o movimento não foi exatamente uma surpresa para o mercado, dificilmente as ações das empresas irão repetir a alta de mais de 20% que foi observada na Hering (HGTX3) nesta semana, após o anúncio da incorporação pelo Grupo Soma (BVMF), que não era esperada.

"Deve gerar valor, sim, mas a princípio não deve ter um impacto tão forte, já que a notícia já havia sido antecipada pelo mercado" afirma.

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