Peixe Urbano fecha as portas, não paga funcionários e ignora advogados
Reprodução O Globo
Peixe Urbano fecha as portas, não paga funcionários e ignora advogados

Quem tomou calote do Peixe Urbano não está sozinho na impossibilidade de contatá-lo — a empresa não responde nem mesmo a seus próprios advogados . Os representantes legais do site de cupons admitiram essa situação inusitada em audiência ocorrida na terça-feira (30) no Ministério Público do Trabalho (MPT). 

Os sócios da banca carioca Bracks Advogados Associados disseram na ocasião que não tinham como discutir eventual saída para o problema trabalhista do Peixe Urbano porque não conseguiam falar com o cliente. Além disso, assim como os funcionários demitidos, o escritório não estava mais recebendo seus honorários pelo serviço. 

 Ao longo de março, o Bracks vinha renunciando ao papel de representante do site nos inúmeros processos trabalhistas a que o Peixe Urbano responde. O escritório apresentou à Justiça do Trabalho e-mails enviados a Nicolás Leonicio, empresário chileno que é o principal sócio e CEO do Peixe Urbano. 

‘Situação desesperadora’ 

Em 1º de março, um dos sócios do Bracks questionou o CEO sobre o fim do departamento jurídico e do RH do Peixe Urbano. Como o site estava demitindo praticamente todos os funcionários, o Bracks não teria mais interlocutores dentro da companhia. 

“O contato tem como escopo esclarecer, da maneira mais transparente e leal possível, como ficará nossa parceria de anos, tendo em vista a situação desesperadora que (sic) o Peixe se encontra”, perguntou o representante do escritório, acrescentando haver “algumas faturas de despesas em atraso.”

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Mas Nicolás Leonicio simplesmente ignorou o e-mail do Bracks. Sem resposta, o escritório enviou nova mensagem 12 dias depois informando que iria renunciar à defesa do Peixe Urbano e que só advogaria para a empresa até esta quarta-feira, dia 31. 

O Bracks prestava serviços para o Peixe Urbano há 11 anos, praticamente desde sua fundação. 

Dois meses fora do ar

O site do Peixe Urbano saiu do ar há dois meses, evidenciando uma crise potencializada pela pandemia que já havia levado à extinção de dois escritórios (Rio e São Paulo), corte de metade da equipe e atrasos de salário e de outros direitos trabalhistas. 

Sem gerar receitas, Leonicio vinha dizendo que não tinha dinheiro nem sequer para demitir os funcionários, enquanto devia mais de R$ 50 milhões — na estimativa de um ex-executivo — a milhares de ex-empregados e firmas parceiras. 

Em março, a companhia desligou finalmente todos os funcionários, mas não pagou a ninguém. Enquanto isso, milhares de usuários estão com créditos retidos na plataforma de cupons. 

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