Policiais podem ficar de fora de medida de PEC Emergencial
Divulgação Policia Militar do DF
Policiais podem ficar de fora de medida de PEC Emergencial



O presidente Jair Bolsonaro pode deixar policiais de fora das medidas que proibem reajustes salariais. Pressionado pela chamada bancada da bala , ele admitiu, nesta segunda-feira (8), a possibilidade de fatiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial para preservar forças de segurança. Segundo Bolsonaro, a decisão deve ser tomada para evitar que o texto seja rejeitado ou tenha que voltar ao Senado .

A solução, de acordo com Bolsonaro, será suprimir do relatório do deputado Daniel Freitas (PSL-SC) os pontos sensívels para as categorias da segurança pública . Os três artigos, ainda a serem detalhados, seriam apresentados em uma nova proposta e tramitariam em paralelo. Freitas esteve com o presidente nesta segunda-feira no Palácio do Planalto e vai levar a sugestão para líderes partidiários e ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

"A PEC ideal é aquela que vai ser aprovada pela Câmara. E tinha problemas ali na Câmara. Eu sou presidente, não devo interferir. Mas conversei com o relator, com o Arthur Lira... A bancada da segurança, que tem mais ou menos 50 parlamentares, queria mudanças. Da minha parte, falei com o relator que ele poderia correr o risco de não conseguir aprovar se não mexesse em três artigos", declarou Bolsonaro.

O presidente contou que Freitas deve dialogar com líderes e com Lira ainda hoje "pela supressão desses artigos para que ela não volte ao Senado ou, pior, não seja aprovado".

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"Vale lembrar que essas emendas supressivas não voltam ao Senado. Essas três ficam de fora, e pode ser criada uma PEC paralela e tramitar normalmente como outra PEC qualquer", explicou.

Ao sair do Planalto, Freitas afirmou a jornalistas que o relatório ainda não está fechado e que só vai concluir o parecer após dialogar com as lideranças da Casa.

Como o GLOBO revelou,  deputados bolsonaristas trabalharam ao longo de todo o final de semana para relaxar efeitos fiscais da PEC Emergencial e poupar policiais das mudanças. Com risco de fazer com que o texto volte ao Senado, a iniciativa pode atrasar a tramitação do projeto que viabiliza a nova rodada do auxílio emergencial .

A votação da proposta na Câmara está prevista para a próxima quarta-feira (10). Para ir direto à promulgação, o texto precisa ser aprovado sem a inclusão de emendas. Do contrário, retorna para análise da outra Casa Legislativa.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, sinalizou a aliados no domingo que pode até aceitar um acordo pela alteração, desde que não haja uma desfiguração completa da proposta original. Em conversas reservadas, ele chegou a dizer a parlamentares que a proposta não será pautada em plenário se houver muitas modificações. Ainda assim, ele aguardava as sugestões para se posicionar.

O apoio nos bastidores do líder do PSL, Major Vitor Hugo (GO), aliado fiel de Bolsonaro , ligou o alerta na Casa de que a mudança pode prosperar. O presidente da bancada da bala, Capitão Augusto (PL-SP), que também participa da articulação, avalia que não é possível apresentar emendas supressivas e a alteração acabará fazendo com que o texto volte ao Senado, o que torna as tratativas mais difíceis.

Após a votação da PEC Emergencial no Senado, a União dos Policiais do Brasil (UPB) lamentou, em nota, o "descaso" do governo federal com os policiais brasileiros, que acusou de não cumprir as promessas de valorização da categoria.

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