A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron
Hannibal Hanschke/Reuters
A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron


Nesta terça-feira, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel , e o presidente francês, Emmanuel Macron, compareceram à versão virtual do Fórum Econômico Mundial , batizada como Agenda Davos 2021. 

Com falas alinhadas, os líderes europeus celebraram a eleição do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden , e apostaram no multilateralismo como saída para a crise econômica e sanitária gerada pela pandemia do novo coronavírus.

Merkel defendeu o trabalho conjunto com o governo dos EUA para impor uma taxação às grandes empresas de tecnologia, citando o trabalho da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesse sentido.

A chanceler disse esperar que "tenhamos sucesso em, mais uma vez, ancorar o papel central da lei de concorrência globalmente e prevenir o surgimento de monopólios".

O presidente da França, Emmanuel Macron, se concentrou na questão ecológica como uma das chaves para a economia mundial pós-pandemia. E comemorou a volta dos Estados Unidos ao Acordo de Paris e à OMS, após a posse do presidente Joe Biden. 

Merkel também elogiou o fato e disse que o papel da entidade é fundamental, inclusive para pesquisar a origem do vírus na China.

A exemplo do presidente chinês Xi Jinping, Merkel defendeu o multilateralismo nas relações entre as nações, e maior transparência nos negócios.

“Sou contra a formação de blocos, como os EUA de um lado e a China de outro” afirmou a alemã.  “A pandemia, que ninguém poderia prever em Davos no ano passado, mudou a forma como vivemos e fazemos negócios. Ela mostrou como estamos globalmente interligados, vivendo no mesmo planeta, e como ainda estamos vulneráveis à natureza (afinal, a doença veio de um animal).”


Empresas e Estados 


Merkel sublinhou os problemas causados pela crise na cadeia global de fornecimento e defendeu que ela precisa ser fortalecida para ficar mais resistente em tempos de crise. Para ela, não se pode contar apenas com as empresas para resolver todas as questões, mas o excesso de regulação, como o que se seguiu à crise financeira de 2008, pode não ser o ideal.

“Multilateralismo e transparência é o que precisamos neste momento. E é preciso haver equilíbrio entre ações do Estado na economia e as da iniciativa privada, permitindo ao indivíduo realizar seu potencial”, enfatizou Merkel.

Segundo o presidente francês, a "financeirização" extrema do capitalismo da década passada, com alocação de recursos em mercados com menos riscos, levou ao aumento da desigualdade e a menos inovação.

“É preciso pensar a economia para os seres humanos, os esforços da economia hoje são para salvar vidas”, frisou. “E as empresas precisam ser reformuladas de dentro, em todos níveis, para levarem em consideração o impacto social e climático de sua atuação. Pois só sairemos dessa pandemia pensando em reduzir a desigualdade no mundo”, concluiu o francês. 


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