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Shopping monta cabine para crianças falarem com o Papai Noel
Reprodução: ACidade ON
Shopping monta cabine para crianças falarem com o Papai Noel

Entra ano, sai ano, o Papai Noel é sempre a grande estrela na época de Natal. Nos shoppings , é tradição encontrar longas de crianças aguardando a vez de tirar uma foto e fazer seus pedidos. Só que em 2020, tudo está diferente. O isolamento social imposto pela  pandemia  causada pelo novo coronavírus fez com que os profissionais - em sua maior parte, idosos,  que fazem parte do grupo de risco - e estabelecimentos repensassem em soluções para não decepcionar quem espera pelo momento de ver o bom velhinho.

Devido às restrições, muitos shoppings apostaram no virtual para mater o espírito natalino. Orlando Woohnrath Junior, de 69 anos, conhecido como "Papai Noel Landão", há 12 anos trabalha em um shopping na região da Av. Paulista em São Paulo, e conta como está sendo o trabalho neste ano atípico.

“Não tenho contato com as crianças. Fico em uma sala da administração do shopping, onde montaram um estúdio. Lá, faço ligações que foram previamente agendadas pelos clientes e converso com eles. Começo ao meio dia e vou até às 17h, quando paro para ‘tratar das renas’. E volto às 18h. Também há pedidos de mensagem. Fora isso, no shopping há um telão, onde a gente atende as crianças”

Com experiências negativas, o Papai Noel Sergio Santos abandonou o trabalho presencial ainda em 2018. Ano ano passado investiu para abrir uma empresa para a vendade fotos, vídeos e até mesmo 'lives' com o grande representante natalino.

"A jornada é muito cansativa. A pessoa já é idosa, e a roupa é pesada, de inverno, usada em pleno verão, e o shopping coloca o Papai Noel onde é mais conveniente sob o ponto de vista das vendas. Mas não é, necessariamente, o lugar mais fresco. É muito calor e cansaço. Então, em 2018, decidi que não iria mais trabalhar em shoppings, e que iria começar a gravar os vídeos de ‘brincadeira’ para ver se funcionava", explica Sérgio.

Ele chegou a receber convites para trabalhar em shoppings neste ano, mas recusou. E o que era brincadeira, acabou virando virou trabalho. Hoje, Sérgio trabalha apenas de forma virtual, com a "Papai Noel online" : ele envia mensagens de vídeo personalizada - cada uma custa R$ 60. Parte do lucro arrecado é repassado para uma insituição de combate ao câncer infantil.

"Em 2019 eu criei a Papai Noel Online. São vídeo mensagens, e mal poderia imaginar que seis meses depois estaríamos vivendo essa situação de quarentena. Eu pensei: ‘poxa vida, esse ano é um grande momento de reflexão’, e o shopping percebeu que precisa do Papai Noel pra vender. O velhinho, abraçando as crianças, é importantíssimo para ele. Por outro lado, a receita que ele gere para quem trabalha como Papai Noel é igualmente importante. O que está faltando é um ponto de equilíbrio que seja bom para todos", explica, e afirma que devido à pandemia, a concorrência será maior no ramo virtual, mas que "há espaço para todos".

Já Orlando, que está trabalhando presencialmente - e com medo de se contaminar com a Covid-19. Por isso, está tendo o máximo de cuidado:

"Eu tenho preocupação, e tento me cuidar ao máximo. Lá eu fico totalmente isolado na sala, sem contato com ninguém. A gente tem um cuidado, mas mesmo assim eu não tenho muita confiança não”, afirma.

Shopping anuncia "chegada virtual" do papai noel


"Landão", como é conhecido, já prevê perda no faturamento comparado há outros anos, já que deixará de atender colégios, empresas e casas de famílias. Ele inclusive iria trabalhar na véspera do natal, no dia 24 de dezembro, "mas com o aumento da contaminação, eu cancelei todas (as visitas), e farei apenas por vídeo”.

Queda no faturamento

Sérgio Soares também compartilha da preocupação com a queda na renda, apesar de não ter números sólidos devido ao fato da 'grande temporada' das festas de final do ano terem se iniciado no final de novembro:

“Há uma preocupação em relação sobre como será neste ano, ninguém sabe, é uma grande incógnita", opina.

Mas o que os dois mostraram sentir mais falta é o calor humano e o contato com as crianças, ao relembrarem histórias marcantes:

"Doze anos atrás, uma cliente, que estava grávida na época, tirou foto comigo. Todos os anos seguintes ela voltou com o filho, que já está com 12 anos de idade, e ela fez um álbum com essa trajetória, então isso é uma coisa que eu não queria que acabasse", contou Orlando, que espera vê-los pelo telão neste ano.

Já Sérgio relembrou uma passagem que foi o 'start' para iniciar os vídeos:

"Em 2017 gravei um comercial para o Shopping Aricanduva, por volta das 6 da manhã a gravação acabou, e nós passamos a noite inteira gravando. Após isso, uma moça que trabalhava na produção pediu um áudio para seu filho, que não parava de chupar o dedo. Mas eu disse “Pera aí, áudio? Porque a gente não faz um vídeo?. Ao fim, ela adorou e ficou muito comovida. E eu também, que acabei chorando", lembra.

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