Paulo Rabello de Castro
Fernando Frazão/Agência Brasil - 1.6.17
Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do IBGE e do BNDES concedeu entrevista ao portal iG nesta terça

O economista Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), concedeu entrevista ao iG nesta terça-feira (11) e se mostrou crítico à proposta de reforma tributária 'fatiada' que o governo federal tenta emplacar às pressas. Para Paulo Rabello, "o governo não tem  reforma tributária  nenhuma na mão".

"É estranhíssimo que ele [Guedes] diga que vai apresentar essa reforma fatiada. Ele diz que vai tratar da parte do imposto de renda, fala genéricamente em tributar dividendos, fala na desoneração da folha de pagamentos e já enfia uma CPMF como parte da história, assunto que nem necessitaria de sede constitucional, porque a desoneração pode ser feita de forma muito mais fácil e tranquila com os mecanismos constitucionais já existentes; portanto, ele não tem reforma tributária nenhuma na mão. Sejamos claros e realistas", declarou.

Segundo o economista — que assim como o ministro Paulo Guedes frequentou a Universidade de Chicago —, o governo tem que seguir exemplos que dão certo ao redor do mundo.

"Esse governo está simplesmente tateando em cima de um assunto e entrando por um grande desvio que é nitidamente impopular. A maior parte dos países do dito mundo desenvolvido, não usa CPMF. Deveríamos ter um lema aqui no Brasil: o Brasil tem que aproveitar seu ponto de virada e os governantes têm que parar de inventar. Na pandemia, segue a OMS; na parte tributária, pega referência de outros países. Sigamos o exemplo latinoamericano, indiano, australiano, canadense e europeu, já é mais do que suficiente", continuou.

Paulo Rabello ainda comentou a dificuldade enfrentada pelo Brasil no que tange o crescimento econômico , que, segundo ele, é explicada pela falta de investimento e pela "obesidade da máquina pública". 

"Ninguém fala, a exceção do Rodrigo Maia (DEM), de revisar as despesas públicas. A despesa pública é um outro capitulo fundamental. Não é para cortar educação e saude, mas sim uma montanha de privilégios. O que Guedes tem que fazer é agir, e nao falar. Mas ele não saiu ainda do pódio de palestrante do de algum seminario da XP [investimentos] ou do BTG [Pactual], turma que contrata ministro para alegrar a festa dos investidores", disse.

Auxílio Emergencial é o único programa que está funcionando

Segundo Rabello, as previsões de Guedes sobre o crescimento do país são ilusórias. "O ministro esta vendendo gato por lebre", afirma.

"Crescimento não é alguma coisa que alguém quer. Isso é conversa de ministro. O brasil está empobrecendo, a pandemia apenas empurrou as pessoas para a fila de recebedores de 'mesada da caixa economica federal' [Auxílio Emergencial], o único programa que funcionou direitinho".

Questionado sobre a demora para implementar os programas de concessões, o economista afirmou que a causa é a desorganização do governo. 

"São vários os motivos, mas principalmente a completa desorganização do dia-a-dia de um grupo do governo. Eles não estão sabendo nem mais o porquê de estarem lá, o Guedes e a equipe dele. Ogoverno Temer tinha o PPI (Programa de Parceria de Investimentos) que funcionava razoavelmente bem. Falta uma programação, mas não é só isso. Precisamos de reforma, competição bancária, juros normais para todos e reforma patrimonial. O Guedes, na hora que quiser, faz a redução patrimonial na caneta dele", completou.


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