bolsonaro
Agência Brasil
Presidente Jair Bolsonaro tem sido pressionado por investidores internacionais e nacionais

Em meio a pressões de investidores nacionais e internacionais pela preservação da Amazônia , o presidente Jair Bolsonaro minimizou na quinta-feira (23) o aumento do desmatamento e das queimadas na região. Bolsonaro disse que "a floresta não pega fogo", que o Brasil é vítima de uma "campanha maldosa" com interesses econômicos e que "não tem como você fiscalizar" toda a floresta.

As declarações ocorrem enquanto o vice-presidente  Hamilton Mourão, quem também preside o Comando da Amazônia, vem tentando acalmar os investidores. Mourão admite que a devastação na região passou do "aceitável" e prometeu uma redução, mas sem comprometer com números. Na quarta-feira, ele se reuniu com representantes do três maiores bancos privados do país para tratar do tema, entre outros encontros recentes com empresários e investidores.

— A  floresta não pega fogo. É uma campanha maldosa o tempo todo contra o Brasil, porque isso tem a ver com economia. O Brasil é um gigante do agronegócio. O agronegócio não parou com a pandemia — disse Bolsonaro nesta quinta-feira, em transmissão ao vivo em redes sociais, segundo um mapa com focos de incêndios pelo mundo.

Apesar do discurso de Bolsonaro, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mostram que a derrubada da floresta cresceu 25% de janeiro a junho em relação ao mesmo intervalo no ano passado, enquanto os focos de incêndio tiveram um aumento de 19,5% no mesmo período.

De acordo com o presidente, parte dos incêndios fazem parte da cultura de habitantes da região e é impossível fiscalizar toda a floresta:

— Pessoal, tem certas regiões aqui que o foco de incêndio existe, e vai existir todo o ano, que é o cabloco, é o índio que toca fogo. Se ele não tocar fogo, é a cultura dele, ele não vai ter o que comer no ao seguinte. Mais ainda, o tamanho da Amazônia é maior do que a europa toda. Não tem como você fiscalizar.

Bolsonaro também atribuiu notícias a "mentiras" publicadas pela imprensa brasileira e repercutidas no exterior:

— O que acontece, muitas vezes? Um jornal, aqueles conhecidos, que fazem de tudo para derrubar o governo, falar mentiras, publica uma mentira. A imprensa de fora pega a mentira, publica lá na Europa. Daí a imprensa daqui vai lá, pega da Europa e vem para cá (dizendo): "Olha como está o presidente lá na Europa, está lá embaixo, não preserva o meio ambiente, não dá bola para isso ou para aquilo".

    Veja Também

      Mostrar mais