Rio
Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Aumento da fiscalização visa evitar aglomerações em bares da cidade

Dois passos para frente, um para trás. No anúncio da quarta das seis etapas de reabertura da cidade, que começa nesta sexta-feira (17) com a retomada de esportes coletivos ao ar livre e de atividades turísticas, a prefeitura deixou claro que estará de olho mesmo é na boemia desenfreada em meio à pandemia . Após cenas de aglomerações no Leblon e em outros points do Rio , serão criados quatro micropolos nos quais fiscais, em um recuo gradeado, farão o controle do acesso às ruas mais movimentadas da noite carioca nos fins de semana. Um sistema de fiscalização fixo será instalado nas ruas Dias Ferreira, no Leblon; na Nelson Mandela, em Botafogo; na Olegário Maciel, na Barra; e na Praça Varnhagen, na Tijuca.

"Não vai restringir totalmente (o acesso às ruas), apenas parcialmente. As pessoas estão se aglomerando nesses polos e precisamos de uma fiscalização mais incisiva", afirmou Flávio da Graça, superintendente de Edução e Projetos de Vigilância Sanitária, explicando que cuidados serão tomados para não atrapalhar as atividades comerciais.

Regra muda em academia

O anúncio do próximo passo para o “novo normal” foi feito ontem pelo prefeito Marcelo Crivella, no Riocentro. Ele explicou que, além das “regras de ouro” — como uso de máscaras e higienização das mãos — , locais muito procurados por visitantes ou mesmo por moradores da cidade, como o Pão de Açúcar e o Corcovado, terão que cumprir um espaçamento de quatro metros quadrados entre as pessoas. Todos os pontos turísticos, que só poderão funcionar com um terço de sua capacidade, devem seguir as normas. Procurados ontem pelo GLOBO, o Pão de Açúcar e a RioStar, que faz a gestão da roda-gigante do Porto, informaram que, apesar do sinal verde para reabrirem, só retomarão as atividades em agosto.

Sobre as próximas etapas do afrouxamento da quarentena, Crivella disse que o momento ainda é de cautela: "as curvas estão dentro do previsto. Porém, nós estamos avaliando que, nessa situação de transporte e de segurança, nós precisamos adiar um pouquinho".

Esportes coletivos também passam a ser autorizados a partir de hoje nas areias das praias, lagoas e em quadras. A altinha segue proibida.

O planejamento ainda prevê uma mudança nas normas para academias de ginástica que já estavam autorizadas a funcionar com um distanciamento entre os alunos de seis metros quadrados. A partir de hoje, essa distância foi reduzida para quatro metros quadrados.

Donos de bares e restaurantes da cidade, que enfrentam uma séria crise devido ao isolamento imposto pela Covid-19, temem que o aperto na fiscalização afugente a clientela.

"O movimento está em 20%, 25% do que era antes. Não há a necessidade dessa quantidade de guardas que têm vindo fiscalizar. Assusta os clientes. Fica tudo muito confuso", avalia Antônio Rodrigues, dono da rede Belmonte, admitindo que, embora o excesso de agentes seja ruim para os negócios, não consegue evitar o mau comportamento de alguns frequentadores.

"Penso que a fiscalização é muito importante, mas precisa ter uma parceria entre a prefeitura e os bares e restaurantes. Não posso ter responsabilidade sobre um cliente que compra cerveja por aplicativo e fica bebendo na frente do meu bar", conclui ele.

Prejuízos em bares

Flávio Sarahyba, um dos sócios do Bar Boa Praça, no Leblon, que ficou cheio na primeira noite de reabertura, há duas semanas, também considera que o impacto da medida pode ser negativo. Ele chama a atenção para o fato de o cenário já ser de perda de receita devido ao atual horário de funcionamento, restrito até as 23h.

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio ( Abreasel ), Pedro Hermeto disse que o impacto dos micropolos anunciados ainda é uma incógnita para os comerciantes: "ainda não estamos conseguindo entender o que isso vai representar efetivamente".

A tendência de queda nos números de casos de coronavírus na capital tem garantido à prefeitura avançar no afrouxamento da quarentena. Nesta quinta-feira (16), em todo o estado, foram registrados, em 24 horas, 92 mortes e 124 novos casos da doença, o que representaria uma queda de 19% na média móvel dos últimos 14 dias.

Porém, a Secretaria estadual de Saúde explicou que os dados estão em análise, porque foi constatada uma instabilidade “nos sistemas de e-SUS e Sivep-Gripe, do Ministério da Saúde”, o que pode explicar os números mais baixos.

Desde o início da pandemia, o Rio acumula 134,5 mil casos e 11.849 óbitos por Covid-19.Há ainda 1.181 óbitos em investigação e 309 foram descartados. Na capital fluminense, foram registrados, em 24 horas, 82 novos casos e 50 mortes.

    Veja Também

      Mostrar mais