Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista
Rovena Rosa/Agência Brasil
Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista, fechado durante a quarentena: lojistas têm estoques baixos mesmo com reabertura

Após 83 dias de fechamento, a maoria dos 53 shoppings da capital paulista reabriu nesta quinta-feira com filas na porta, mas com expectativa de queda de vendas de até 60% em relação ao período pré-pandemia. A previsão é de Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).

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Nos shoppings, o maior movimento ocorreu em lojas de operadoras de telefonia e algumas chegaram a provocar aglomeração nos corredores. Nada, porém, comparável ao  comércio popular da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, onde a reabertura dos estabelecimentos populares e galerias provocou movimento semelhante ao do Natal, com as ruas repletas de pessoas, misturando o comércio das lojas com o dos ambulantes.

Também houve aglomeração na Rua Santa Ifigênia, no centro, especializada no comércio de eletrônicos e produtos de informática, que reabriram na quarta-feira. Embora seja obrigatório o uso de máscaras, muita gente não seguiu a recomendação.

Enquanto nos shoppings havia aferição de temperatura na porta e recomendação de distanciamento era seguida, na Rua 25 de Março a proximidade de consumidores, ambulantes e vendedores parecia assustadora diante da pandemia de Covid-19 e da possibilidade de disseminação do coronavírus.

Além de vender direto a consumidores, a região do Brás abastece lojistas de todo o estado, o que representa um risco de acelerar o transporte do vírus a outros municípios. Sem vacina, o isolamento social é a única forma de conter a doença.

Passeio nos corredores

No shopping Ibirapuera, na zona Sul da capital paulista, mais de 50 pessoas ficaram sob sol forte, por mais de meia hora, na fila formada para que fosse medida a temperatura, uma dos protocolos do setor. O motorista Cleberson Araújo, 29 anos, assaltado durante o período de pandemia, foi um dos primeiros a formar a fila à espera da reabertura das lojas.

"Tive que esperar mais de uma semana para resgatar meu chip", afirmou Araújo.

Nem todos, porém, tinham uma questão urgente a tratar, reforçando a cultura da cidade de São Paulo, de encarar as visitas a shoppings como entretenimento. A corretora Ana Cristina Reusing, 52 anos, afirmou que foi mesmo passear e ver as vitrines.

"Vim para ver gente. Estava louca para vir ao shopping de novo. Moro bem perto e costumava vir todo dia", contou Ana Cristina, que pretendia ir em lojas de roupas.

Prejuízo deve continuar

Segundo Sahyoun, a maioria das lojas está com pouca mercadoria, pois os empresários colocaram o pé no freio quando perceberam que o período de isolamento seria maior do que 45 dias.

"Foi passando o tempo e todo mundo desacelerou a produção ou não comprou, principalmente no setor de calçados. A maioria não se aventurou a produzir", afirmou Sahyoun.

Segundo ele, não mais do que 25% dos lojistas estão com estoques altos. Porém, como 50% das lojas de shopping são de vestuário, a expectativa é que elas tenham de antecipar as liquidações de inverno, que costumam ocorrer em julho, para troca de coleção em agosto.

Sahyoun afirma, no entanto, que o maior teste para o setor será nesta sexta-feira, Dia dos Namorados.

"Hoje não teve praticamente congestionamento, apenas nas portas, por causa da aferição de temperatura. Nesta sexta, deve ser mais agitado", disse.

O presidente da Alshop acredita que aos lojistas devem continuar operando com prejuízo, já que o funcionamento segue limitado a quatro horas diárias.

"Os consumidores estão assustados ainda. A morte está na sala das pessoas. Mas vamos ter de aprender a conviver com o vírus, porque a pandemia ainda deve ficar por mais alguns meses", disse Sahyoun, que ainda não se arrisca a prever o desempenho das vendas de 2020.

Oito shoppings voltarão a fechar

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) informou que dos 182 shoppings do estado de São Paulo, 129 já podem funcionar. Outros 44 poderão abrir as portas a partir do dia 15 na Grande São Paulo e Baixada Santista.

Em oito cidades os shoppings terão de voltar a fechar a partir do dia 15, uma vez que a epidemia aumentou depois da reabertura nas regiões de Barretos, Presidente Prudente, Bebedouro e Ribeirão Preto.

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