Gustavo Montezano, presidente do BNDES
Valter Campanato/Agência Brasil
Gustavo Montezano, presidente do BNDES, fez live com o ministro da Infraestrutura e detalhou plano de financiamento de rodovias e portos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai atuar cada vez mais em parceria com outros bancos para aumentar o volume de recursos de forma a financiar projetos de infraestrutura no país. A afirmação foi feita pelo presidente da instituição, Gustavo Montezano, durante uma live com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, nesta quinta-feira (21).

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"Alguns investidores perguntam: qual será a capacidade do BNDES atuar como financiador depois dessa crise? E podemos assegurar que não faltará recursos em reais de longo prazo para a infraestrutura brasileira. Estamos atuando cada vez mais próximo das condições de mercado para que ele possa possa cofinanciar com o BNDES. Desse modo, a gente consegue ampliar os recursos e o volume total de cada operação sindicalizando", disse Montezano.

Operação semelhante foi anunciada semana passada para socorrer as empresas do setor aéreo afetadas pela crise da Covid-19 . No  financiamento de R$ 6 bilhões para GOL, Latam e Azul, o BNDES vai entrar com 60% dos recursos e Banco do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco, com 10%. O restante (de 30%) será feito via captação a mercado.

A ideia seria que, se a criação desse sindicato de bancos for bem sucedida durante a crise, vai ser replicado em linhas tradicionais de financiamento para projetos futuros.

Além disso, Montezano disse que o Banco está em fase final no desenvolvimento de produtos de garantia. Ou seja, como o banco hoje não consegue medir o risco, ele não empresta. Com isso, a ideia do BNDES é que seja criado um fundo de cerca de R$ 20 bilhões, com recursos do Tesouro Nacional, para garantir 80% dos empréstimos e, com isso, destravar o crédito.

"A gente também está desenvolvendo produtos de garantia. O BNDES é muito conhecido por atuar com caixa. Está em estágio final para começar a atuar com garantia. A palavra garantia e sindicalização vão fazer cada vez mais parte do dia a dia do BNDES", disse o presidenta da instituição.

Apesar da crise do novo coronavírus (Sars-Cov-2), BNDES e Ministério de Infraestrutura seguem trabalhando no projeto de concessão de rodovias e portos. A expectativa, segundo o BNDES, é que os mais de 7 mil quilômetros de rodovias sejam leiloadas no segundo trimestre de 2022. Mesma previsão tem os portos de Santos e do Espírito Santo.

Durante a live, ao comentar a devolução de alguns ativos de infraestrutura por inadimplência, Tarcísio disse que as taxas de retorno para os investidores serão revistas por conta da crise gerada pelo novo coronavírus.

"Vamos adequar as taxas de retorno interno nas novas modelagens para o cenário que temos hoje, de mais cautela e maior aversão a risco para trazer os investidores para cá. E no final das contas a competição é que vai definir a taxa de retorno, pois o que definimos morre no dia do leilão", afirmou o ministro da Infraestrutura.

Marcelo Sampaio, secretário-executivo do Ministério de Infraestrutura, destacou as mudanças feitas nos contratos para atrair investidores, como modelos híbridos unindo menor tarifa e maior outorga.

"Foram mudanças aprendidas nas últimas rodadas. Houve a simplificação de entrega de atestados técnicos para atrair mais empresas. Outro ponto que destacaria é a diferença de tarifa para pista simples e duplicada. Isso traz um incentivo para que as empresas façam as obras previstas em contrato", disse.

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