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Planos de saúde ainda não foram impactados por inadimplência, segundo dados colhidos pela ANS; Outras entidades rebatem

A pandemia de Covid-19 não trouxe, até o momento, impactos financeiros significativos para o setor de planos de saúde. Essa é a avaliação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) diante da análise de dados prestados por 109 operadoras de saúde, que juntas representam 80% do mercado de saúde suplementar do país.

De acordo com os dados do boletim, observa-se que até abril deste ano praticamente não houve variação no percentual de inadimplência, comparado inclusive ao mesmo período do ano passada, e que os pagamentos dos serviços contratados pelas operadoras até caiu de março para abril.

Comparando os meses de fevereiro a março deste ano, houve ainda considerável redução no percentual de atendimentos em pronto-socorro, especialmente a partir da adoção das medidas restritivas de isolamento decretadas. De março para abril a queda foi de 48%. Em abril, a taxa de ocupação de leitos era de 50% contra 69% registrado no mesmo período de 2019.

Para análise assistencial, a ANS optou por usar as informações de 45 operadoras com hospitais próprios, pela capacidade destas em gerar tais informações de forma mais imediata, mas garante que esses dados podem ser usados para avaliação do setor como um todo.

"A pandemia fez bem para a saúde financeira das operadoras. É importante a ANS dar transparência a esses dados até para que possamos questionar aumentos que venham a ser dados a pretexto da pandemia" ressalta Matheus Falcão, pesquisador em saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

Procurada, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) disse que analisará os dados da ANS. A entidade destaca que o Brasil possui dimensões continentais e centenas de operadoras de planos de saúde. Cada região e cada operadora estão em estágios diferentes no combate a pandemia de Covid-19.

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Para Vera Valente, diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa os maiores grupos de operadoras de planos e seguros privados de assistência à saúde do país, as informações ainda são preliminares e, portanto, inconclusivas, já que podem refletir situações anteriores à pandemia, como no caso dos dados econômico-financeiros.

"Há uma série de questões metodológicas adotadas no levantamento que ainda não são conhecidas, o que dificulta análises mais detalhadas, aprofundadas e definitivas. As informações refletem a realidade de empresas que atendem 80% dos beneficiários, mas que são completamente distintas entre si" destaca Vera.

A diretora-executiva da Fenasaúde disse ainda que não surpreende que os níveis de inadimplência estejam relativamente normais comparados com outros períodos, pois os beneficiários estão realizando todos os esforços para não perder a cobertura do seu plano nesse cenário de pandemia. E acrescentou que as empresas têm negociado com os beneficiários.

O aumento da inadimplência, no entanto, vêm sendo um argumento frequente usado pelas operadoras, inclusive, para não aceitar o termo de compromisso da ANS para liberação de R$ 15 bilhões em reservas técnicas do setor.

Vera chama atenção para o fato de que os procedimentos eletivos que não estão sendo realizados por causa da pandemia serão uma pressão sobre os custos ao fim da crise provacada pelo coronavírus

"Os números indicam que os pagamentos das operadoras aos prestadores praticamente não sofreram alterações, mesmo com o adiamento de procedimentos eletivos em resposta a recomendações das autoridades sanitárias do país", destaca.

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