A paralisação da economia por conta da pandemia do novo coronavírus fez o governo federal adiar para próximo ano a privatização da Eletrobras , maior geradora e transmissora de energia do país. Na tarde desta segunda-feira (30), o presidente da estatal, Wilson Ferreira Júnior , afirmou que o Congresso deve priorizar o combate à doença, e o projeto de lei que viabiliza a privatização da companhia só deve acontecer no segundo semestre do ano.

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"A privatização da Eletrobras continua sendo uma prioridade" afirmou Ferreira Júnior .  "Mas reconhecendo a particularidade do momento, um conjunto de prioridades se colocou à frente da Eletrobras no enfrentamento dessa crise do coronavírus . Então, muito provavelmente o PL deverá ser aprovado no segundo semestre".

Energia elétrica
Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
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Em teleconferência com investidores e analistas do mercado para apresentação dos resultados financeiros do ano passado, o executivo destacou que a companhia está em situação sólida, mas espera que recupere maior valor de mercado, com a valorização de suas ações após a superação da crise provocada pela pandemia .

Em 2019, a Eletrobras registrou lucro líquido de R$ 10,7 bilhões, resultado 20% inferior aos R$ 23,3 bilhões do ano anterior. Ferreira Júnior minimizou o fato, explicando que a queda foi ocasionada por fatores não recorrentes, como a retirada de provisão de R$ 7,2 bilhões para a usina de Angra 3 . Segundo o executivo, a companhia teve o seu melhor desempenho desde o início do processo de reestruturação, há dois anos.

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Além do atraso na privatização, Ferreira Júnior informou que a usina nuclear de Angra 3 levará pelo menos mais 11 meses para ficar pronta. A previsão agora é que a planta entre em operação apenas em novembro de 2026. A expectativa do executivo é que, mesmo com a economia praticamente paralisada, o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos ( PPI ) aprove em breve o modelo de retomada das obras — paradas desde 2015 — para a escolha do parceiro privado.

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