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Antonio Cruz/Agência Brasil
Empresários líderes de grandes redes e marcas cobraram ações efetivas do Ministério da Economia

Líderes do setor empresarial querem que o governo adote alguma medida que ajude as companhias a continuarem pagando seus funcionários enquanto estão com seus negócios parados por conta das medidas adotadas para conter o avanço do novo coronavírus. Os empresários aproveitaram a oportunidade para elogiar as ações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e cobrarem ações semelhantes do Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes.

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Um debate realizado na noite desta terça-feira (24) pela XP Investimentos com alguns executivos do setor de varejo revelou que a grande angústia dos empresários é como efetuar o pagamento da próxima folha salarial, que vence no dia 5 de abril.

"A folha de pagamento é a maior angústia de todos os empresários no momento e ela vence agora no dia 5. A iniciativa privada não está pedindo doação, o que se precisa, neste momento, é no mínimo empréstimo", afirmou Sebastião Bomfim, fundador da Centauro .

Carlos Jereissati, do Grupo Iguatemi, anunciou no evento online que o grupo está suspendendo o pagamento de aluguéis de lojas no período em que os centros de compras estão fechados por causa da crise do coronavírus , e reduzindo ao mínimo o valor do condomínio. Mas ele disse que as empresas têm um certo limite de ação e que, nestes casos, é preciso de uma atuação do governo:

"A gente vê uma bela condução pela saúde, nos estados e no ministério, mas não vê a mesma agilidade na área da economia, para salvar as empresas e os empregos. A gente precisa que a mesma agilidade que a saúde tem de um lado, a economia tenha do outro. Faltam medidas claras, para a economia real. É necessário ser criativo para encontrar caminhos", disse Jereissati, que afirma que falta um “ Mandetta ” da economia, em referência ao ministro da Saúde.

Mercado parado

Na mesma linha, Rafael Salles, do grupo de shoppings Aliansce, afirmou que sua empresa também está suspendendo cobranças dos lojistas. Embora reconheça que a prioridade agora é salvar vidas e ajudar as pessoas que estão no desalento, são necessárias medidas para evitar que a economia piore ainda mais a situação de calamidade social. Ele afirmou que a crise agora tende a ser muito pior que a de 2008:

"O mercado parou, não valem as regras de mercado. Se é um momento de exceção, são novas soluções que são necessárias", disse ele.

Os empresários criticaram a MP que o governo editou - e depois voltou atrás - que permitia às empresas não pagar salário por até quatro meses. Cobrando uma atuação social, inclusive doação e mobilização para o combate ao coronavírus, Alexandre Birman, da Arezzo , afirmou que o momento é de união nacional:

"O empresário tem que anunciar que a última decisão será a demissão. Vamos lutar para evitar isso", disse Birman. "Neste momento, temos que nos unir, temos visto, por exemplo, que a união entre empresários e sindicatos é fundamental".

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