A Camisaria Colombo pediu recuperação judicial na tentativa de abater parte de uma dívida estimada em R$ 1,89 bilhão. A salvaguarda vem na esteira de sucessivas quedas na receita da varejista por causa da crise econômica dos últimos cinco anos, que afetou em particular o poder de compra das famílias de menor porte aquisitivo.

Boa parte dos credores são de instituições financeiras e gestoras de shopping centers para quem a Colombo deve aluguéis.

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A Camisaria Colombo está sendo assessorada na recuperação judicial pela consultoria X Infinity Invest , especializada em empresas em apuros financeiros, e pelo escritório de advocacia NDN , de São Paulo . O processo foi protocolado em fevereiro na 1ª Vara de Recuperação Judicial e Falências de Cuiabá ( MT ), sede da varejista. A expectativa é de uma aprovação do pedido de salvaguarda nos próximos dias.

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Fundada em 1917 , como uma alfaiataria no centro de São Paulo, a Camisaria Colombo investiu numa estratégia agressiva de abertura de lojas a partir dos anos 90. Em 2013, a família Maluf , fundadora do negócio, vendeu 30% do negócio ao fundo de investimento Gávea com o plano de abrir o capital da empresa.

Com dinheiro em caixa , e impulsionada por anos de pleno emprego – capaz de bombar a demanda por trajes sociais entre os profissionais de menor renda –, a companhia chegou a faturar R$ 730 milhões em 2014. À época, a rede tinha mais de 450 lojas.

Com a crise, o aumento de desemprego e a concorrência do comércio eletrônico , o modelo de negócios da Colombo calcado em lojas em shopping centers entrou em parafuso. O Gávea saiu em 2015 ao revender as ações ao empresário Álvaro Jabur Maluf Júnior , da família controladora da companhia. De acordo com a petição de recuperação judicial, a saída do fundo escasseou o crédito da empresa junto ao bancos para capital de giro.

O torniquete no caixa ficou ainda mais forte por causa do tombo nas vendas nos últimos cinco anos. Em 2019, a rede faturou R$ 109 milhões, patamar sete vezes inferior ao do pré-crise. Por causa disso, em março de 2017 acordou com os credores uma recuperação extrajudicial na tentativa de alongar o prazo de quitação das dívidas.

Desde então, com o faturamento ainda em queda, e com boa parte dos débitos vencendo a partir de março, a alternativa foi pedir a salvaguarda da Justiça na tentativa de limar parte dos débitos.

A proposta da companhia deve ser conhecida após a homologação do pedido de recuperação judicial, diz Fábio de Aguiar , presidente da X Infinity Invest . A partir desta data, o plano é apresentar um plano aos credores em até 60 dias.

"Aprovado o plano, a ideia é atrair novos investidores para o negócio, como banco e fundos de investimento", diz Aguiar , para quem a varejista já fez a maior parte da lição de casa e encerrou a operação das lojas deficitárias . Hoje são 140 unidades, entre próprias e franquias, e o plano é voltar a crescer após chegar a um acordo com os credores.

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