O principal assessor econômico da Casa Branca disse nesta terça-feira que o surto do novo coronavírus adiará um aumento nas exportações dos Estados Unidos para a China, esperado a partir da Fase 1 do acordo comercial que deve entrar em vigor no final deste mês.

Coronavírus: China estuda pedir a EUA que sejam flexíveis no acordo comercial

Em entrevista à Fox Business Network, Larry Kudlow disse que o vírus, que praticamente tem mantido fechadas muitas fábricas e cidades chinesas e impedido muitas viagens dentro e fora do país, não teria um efeito catastrófico nas cadeias de suprimentos comerciais.

Os comentários dele marcam a primeira vez que uma autoridade do governo Trump disse que o vírus em rápida propagação prejudicará a capacidade da China de aumentar as compras de bens e serviços dos EUA em US$ 200 bilhões em dois anos, pelo menos no curto prazo.

Assessor de Trump diz que coronavírus adiará aumento de exportações dos EUA à China
ED JONES / AFP
Assessor de Trump diz que coronavírus adiará aumento de exportações dos EUA à China

— É verdade que o acordo comercial, a Fase 1 do acordo comercial, o boom de exportação desse acordo comercial levará mais tempo por causa do vírus chinês. Isso é verdade — disse Kudlow.

O acordo previa que a China aumentaria as compras de produtos dos EUA em US$ 76 bilhões no primeiro ano e US$ 123 bilhões no segundo ano em relação aos valores importados dos EUA em 2017.

O número de casos e mortes do novo coronavírus mostrou poucos sinais de desaceleração. O total de casos já ultrapassou 20 mil, o que tem estimulado os Estados Unidos a repatriar alguns de seus cidadãos da China, emitir um aviso de viagem e impor quarentenas e proibição parcial de viagem.

Pequim tem criticado as medidas, acusando-as de espalhar medo de forma desnecessária.

Cadeias de fornecimento

Kudlow minimizou o potencial impacto mais amplo do surto de vírus na economia dos EUA e nas cadeias de suprimentos das empresas que estão sendo afetadas. "Não é uma catástrofe. Não é um desastre", disse.

— Já passamos por isso antes e acho que o impacto é mínimo — disse ele mais tarde em entrevista à Fox Business.

A China foi o terceiro maior parceiro comercial de mercadorias dos Estados Unidos em 2019 até novembro — ficando atrás de México e Canadá por causa da guerra tarifária EUA-China.

Kudlow disse achar que o surto de vírus pode estimular o investimento das empresas e levar a aumentos na produção nos Estados Unidos.

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Banco Mundial faz alerta

O Banco Mundial pediu, nesta segunda-feira (4), que se redobrem os esforços da luta contra a epidemia do novo coronavírus, para o qual disse que considera mobilizar seus próprios recursos.

"Pedimos a todos os países que fortaleçam sua vigilância sanitária e sistemas de resposta, essenciais para conter a expansão desta, ou de futuras epidemias", afirmou o Banco em um comunicado.

A instituição "revisa os recursos técnicos e financeiros que podem ser mobilizados para apoiar os países afetados" e "coordena estreitamente com seus sócios internacionais uma aceleração da resposta internacional".

O Banco Mundial afirmou que monitora eventuais impactos econômicos e sociais da epidemia e que apoiará "os esforços da China para responder" à crise, "incluindo seus esforços para adaptar sua economia" à situação.

Na semana passada, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, disse que era provável que a epidemia causasse impactos na economia na primeira metade de 2020, mas que "seria irresponsável fazer especulações sobre o que pode acontecer".

Opep analisa queda na demanda por petróleo

Enquanto isso, em Viena, a Organização de Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) consultou a China para entender como o avanço do coronavírus pode afetar a demanda por petróleo e que medidas a entidade pode evitar para reduzir a queda nos preços no setor.

A organização convocou embaixador chinês para organizações internacionais na capital austríaca, Wang Qun, numa demonstração dos fortes temores que assolam o mercado global com a doença. O barril de petróleo cru despencou para menos de US$ 50 em Nova York pela primeira vez em mais de um ano na segunda-feira após sinais de que o consumo de petróleo na China, maior importador do mundo, caiu 20% (cerca de 3 milhões de barris/dia).

— Para os mercados de petróleo, esta é a pior crise, no pior lugar, na pior hora — resumiu Roger Diwan vice-presidente de serviços financeiros na IHS Markit Ltd. — A Opep não term alternativa a não ser cortar a produção, porque a China vai comprar muito menos petróleo bruto.

A própria análise interna da entidade mostrou uma queda modesta na demanda global, de 400 mil barris por dia, durante seis meses, mesmo na pior das epidemias, segundo os delegados presentes à reunião. Mas a S&P Global Platts afirmou que o pior cenário seria uma queda na demanda de 1 milhão de barris/dia, o que levaria a demanda anual a chegar a 320 mil barris diários, a mais fraca desde a crise econômica de 2008/200.

Após a reunião com a Opep+, Wang disse que o vírus inevitavelmente afetar a demanda por petróleo, mas alertou contra um reação exagerada. Segundo fontes, ele disse a representantes do cartel que o impacto seria limitado e localizado.

— Qualquer exagero ou reação exagerada não está no melhor interesse do público em geral, muito menos no interesse do mercado — disse Wang.

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