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Durante sua presença em Davos, o presidente do BNDES Gustavo Montezano comentou a auditoria contratada pelo banco para investigar "caixa-preta"

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Valter Campanato/ABr
Gustavo Montezano comenta auditoria milionária do BNDES


O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES ), Gustavo Montezano , relativizou nesta quarta-feira (22) os gastos com auditoria contratada pelo banco para investigar a suposta " caixa-preta " da instituição. O BNDES pagou R$ 48 milhões ao escritório Cleary Gottlieb Hamilton & Steen pelo serviço, mas a investigação não identificou qualquer irregularidade nas operações do banco.

"Auditorias mais complexas e independentes podem chegar a centenas de milhões de dólares. São caras mesmo", argumentou o presidente do BNDES, em conversa com jornalistas em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial .

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Montezano acrescentou, ainda, que a auditoria foi contratada entre 2017 e 2018. O presidente tomou posse apenas no ano passado. Para ele, a cobrança por um pedido de desculpas do BNDES aos seus funcionários, que chegaram a ser alvo de operações da Polícia Federal , é uma “abordagem perigosa”.

Ele também afirmou que é “difícil julgar” a decisão de contratar o serviço. Segundo Montezano, foi uma investigação extensa, com a revisão de milhares de documentos, que estão sendo encaminhados para os órgãos de controle.

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"Era outra conjuntura. Eu tenho 20 anos de mercado financeiro e, mesmo quando me apresentam [as operações], eu peço para explicarem de novo. Se para um economista ou um advogado é complexo entender, imagine para um cidadão", disse Montezano.

Difícil explicar para 'cidadão comum'

Na avaliação do presidente, a imagem do banco já melhorou sensivelmente e o BNDES , agora, permite o acesso às informações corretas para a população e partes interessadas.  "Estamos satisfeitos com o trabalho de explicação que foi feito sobre temas complicados. Houve uma retomada da credibilidade. Está surtindo efeito", afirmou Montezano.

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Ele reconheceu, no entanto, que ainda é difícil para um "cidadão comum” entender que não houve “nada de ilegal” na postura do banco ao fazer empréstimo de US$ 561 milhões para o porto de Mariel , em Cuba, e levar calote do país ou ter financiado jatinhos executivos com taxas de 2% ao ano, enquanto a Selic (taxa básica de juros) estava em dois dígitos.

Montezano também disse que a venda de ações do BNDES na Petrobras vai melhorar as contas públicas, já que a União é controladora do banco. A instituição deu o primeiro passo para a oferta dos papeis nesta terça-feira (21).  A expectativa é levantar até R$ R$ 23,5 bilhões com a operação.