Tamanho do texto

Presidente também criticou 'monopólio' na distribuição, feita pela Petrobras

Jair Bolsonaro arrow-options
Marcos Corrêa/PR - 5.7.19
Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (16) que está "fazendo o possível" para reduzir o preço do combustível e que estuda quebrar o "monopólio" que disse existir na distribuição. Bolsonaro visitou o Ministério da Infraestrutura, onde se reuniu com o titular da pasta, Tarcísio de Freitas.

— Preço de combustível...Lá na refinaria o preço está lá embaixo, ele cresce e fica alto por causa de quê? Impostos estaduais, ICMS, basicamente. E depois o monopólio ainda que existe na questão de distribuição e nós estamos buscando quebrar esse monopólio para diminuir o preço. Só com a concorrência ele pode diminuir — disse Bolsonaro na saída do ministério, acrescentando depois: — Estamos fazendo o possível para baratear o preço do combustível. Reconhecemos que está alto no Brasil.

Depois, um assessor falou algo no ouvido do presidente e ele ressaltou o preço do diesel na refinaria:

— Preço médio do diesel na refinaria, R$ 2,60. Aí tem impostos estaduais, tem imposto municipal, também, custo da logística e da distribuição, tem o lucro do dono do posto de gasolina, isso aí.

Bolsonaro afirmou que já levou sugestões para o ministro da Economia, Paulo Guedes, e para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, mas não adiantou nenhuma medida. O presidente também voltou a defender a venda de etanol pelos produtores diretamente para postos de gasolina, que já foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), mas que ainda precisa ser regulada por lei.

— Questão do etanol nós tentamos, estamos tentando ainda, de modo que, das empresas que produzem o etanol, as usinas possam vender diretamente ao posto de gasolina. Tem caminhões de transporte de etanol que andam 400 quilômetros para entregar o etanol a um quilômetro da usina. Isso é um absurdo. Tem gente que é contra isso daí porque há interesse econômico e de grupos aqui no Brasil, não é fácil buscar uma solução para tudo, mas estamos fazendo o possível

Ministro descarta greve de caminhoneiros

Tarcísio foi questionado sobre a possibilidade de uma greve de caminhoneiros, mas afirmou não acreditar que ela ocorra, porque, segundo ele, o governo tem um diálogo constante com a categoria. Protestos da caminhoneiros haviam sido convocados para esta segunda, mas não foram realizados.

— Eu acho que sim (greve está descartada). Observe que hoje era o dia de início, não está tendo nada nas estradas, não houve nenhum ponto de bloqueio, porque há um respeito muito grande nosso com caminhoneiros, e um respeito muito grande dos caminhoneiros com a gente. Conseguimos realmente estabelecer um diálogo, eles sabem que têm as portas abertas, e a cada dia a gente constrói uma solução — avaliou.

O ministro afirmou que tratou da malha ferroviária na reunião com Bolsonaro e disse que em breve "boas notícias" sobre a Transnordestina serão anunciadas.

Reforma tributária não será 'ampla, geral e irrestrita'

Bolsonaro ainda afirmou que continua discutindo com Paulo Guedes o projeto de reforma tributária, mas ressaltou que, para ser aprovada, a proposta não poderá ser "ampla, geral e irrestrita", ou seja, envolvendo impostos federais, estaduais e municipais.

— O Paulo Guedes já falou comigo, eu com ele, se nós quisermos fazer uma reforma tributária ampla, geral e irrestrita, envolvendo Executivo federal, estaduais e municipais, não vai ser feito nada. Tenho falado com o Paulo Guedes para usar a palavra simplificação de impostos e focar nos impostos federais.

De acordo com o presidente, a sociedade irá decidir se quer a criação de novos impostos, mesmo que para substituir outros:

— Todas as alternativas estão na mesa, nós não queremos criar nenhum novo tributo, a não ser que seja para extinguir outros, e, assim mesmo, colocado junto à sociedade para ver qual a reação da sociedade, (para saber se) a gente vai levar avante essa proposta ou não.