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Porta-voz havia afirmado que governo apoiava mudança, mas análise do presidente foi diferente: "ceder seria abrir buraco em transatlântico"

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Marcos Corrêa/PR
Presidente voltou atrás e defendeu manutenção do teto

Após o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, afirmar que o governo defende uma mudança no teto de gastos , o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que é preciso preservar a emenda constitucional que estabeleceu o teto. De acordo com Bolsonaro, alterar a regra seria "abrir uma rachadura no casco do transatlântico".

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"Temos que preservar a Emenda do Teto. Devemos sim, reduzir despesas, combater fraudes e desperdícios. Ceder ao teto é abrir uma rachadura no casco do transatlântico. O Brasil vai dar certo. Parabéns a nossos ministros pelo apoio às medidas econômicas do Paulo Guedes", escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter.

Na quarta-feira, Otávio Rêgo Barros disse que Bolsonaro defendia uma mudança no teto de gastos porque a tendência é o governo nos próximos anos ficar sem recursos para as despesas da manutenção da máquina pública. Segundo ele, o Executivo rechaça a criação de novos impostos para equilibrar as contas.

"O presidente defende uma mudança nesta lei porque, se isso não for feito, nos próximos anos a tendência é o governo ficar sem recursos para pagar despesas de manutenção da máquina pública. O governo não irá exigir mais impostos da sociedade para conseguir equilibrar as contas  públicas", disse o Rêgo Barros em declaração à imprensa.

Aprovada em 2016 pelo Congresso , durante o governo Michel Temer, a lei limita o crescimento dos gastos ao índice da inflação do ano anterior. Na ocasião, quando era deputado federal, Bolsonaro votou a favor do limite de gastos.

Na manhã de quarta,  Bolsonaro já havia indicado que poderia apoiar a proposta de  flexibilizar o teto. Sem deixar claro que medida seria tomada pelo governo, o presidente afirmou que é "uma questão de matemática".

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"Temos um orçamento, temos as despesas obrigatórias que já estão subindo. Acho que daqui a dois três anos vai zerar a despesa discricionária. (gastos de custeio e investimentos). É isso? Isso é uma questão de matemática, nem preciso responder para você, isso é matemática", disse o presidente, na saída do Palácio da Alvorada.

Indagado se o governo tomaria a iniciativa de mudar a norma, respondeu: "eu vou ter que cortar a luz de todos os quarteis do Brasil , por exemplo, se nada for feito. Já te respondi".