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Secretário de Comércio dos EUA alerta que tratado com União Europeia poderá restringir possível acordo de livre comércio entre Brasil e seu país

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REUTERS/Paulo Whitaker
Acordo entre Mercosul e União Europeia prevê tarifa zero para exportação de produtos brasileiros como café para Europa

O Secretário de Comércio dos Estados Unidos Wilbur Ross fez um alerta sobre eventuais interferências que o acordo firmado entre Mercosul e União Europeia podem trazer a um possível tratado de livre comércio entre Brasil e Estados Unidos.

Durante evento na Câmara de Comércio Brasil-EUA, Ross pediu que os representantes dos dois blocos sejam cuidadosos para que não haja "poison pills" ( pílulas de veneno ) inseridas nos acordos .

"Tenha cuidado ao refinar o contrato (do Mercosul com a União Europeia) para garantir que não haja pílulas envenenadas que nos impeçam de liderar um acordo realmente verdadeiro com o Brasil", alertou o secretário.

Leia mais: Mercosul pode fechar acordo com mais países europeus até o fim do ano

Ross ainda disse que a Europa é diferente dos Estados Unidos em muitos aspectos econômicos, e que esse é um ponto que deve ser levado em consideração.

"Nós temos diferenças com a comissão europeia sobre padrões, alimentos, produtos químicos, automotivos. Por favor, tenham cuidado para não ameaçar algo que seria inconsistente com eles em um contrato livre com a gente.

Em 28 de junho deste ano, Mercosul e União Europeia assinaram um acordo, após mais de 20 anos de negociação, que prevê uma série de alterações em temas tarifários e não tarifários.

Um dos principais pontos acertados é a retirada de tarifas sobre 91% dos produtos que a União Europeia exportará para o Mercosul durante os próximos 10 anos.

Por outro lado, serão retiradas tarifas de 92% dos produtos exportados do Mercosul para a UE, também no mesmo período. O acordo ainda prevê eliminação de tarifas para produtos brasileiros, como suco de laranja, frutas, café, peixes, crustáceos e óleos vegetais.