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Crescimento em seis meses é de 17,9% frente 2018, mesmo assim bancos privados planejam fechar agências e realizar planos de demissão voluntária

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Wikicommons/Creative Commons
Banco Itaú anunciou programa de demissão voluntária que pode atingir 6,9 mil funcionários

Os três grandes bancos privados do país lucraram no primeiro semestre do ano R$ 32,2 bilhões,  um crescimento de 17,9% na comparação com o mesmo período de 2018. A estrutura dessas instituições tende a ficar mais tímida.

O Itaú Unibanco, inclusive, anunciou um programa de demissão voluntária (PDV) que pode atingir até 6,9 mil funcionários . Dessa forma, as instituições privadas também aderem a esse recurso, assim como já foi feito por Banco do Brasil e Caixa.

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Com a digitalização , os bancos conseguem com que os clientes demandem menos serviços em agências e, dessa forma, fechar esses pontos de atendimento. Entre os privados, são mais de  200 agências a menos nesse ano, sendo que o movimento foi liderado pelo Itaú Unibanco.

"O fechamento das agências se dá por necessidade dos nossos clientes. Com a digitalização de serviços, há uma redução da busca por agências e ainda temos uma quantidade considerável delas umas próximas a outras, fruto das fusões",  disse Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco.

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O Itaú Unibanco fechou 212 agências no primeiro semestre do ano. O movimento vai continuar nos próximos meses, mas Bracher afirmou que embora não tenha um número definido, o total de pontos de atendimento que será fechado no segundo semestre do ano  não deverá ser superior aos primeiro semestre.

Os funcionários que serão convidados a participar do PDV da instituição são os que já completaram 55 anos e que atendam alguns critérios, como terem usufruído de algum tipo de estabilidade . Até junho, o banco Itaú contava com 98.446 funcionários.

"Nós miramos um público que acreditamos que pode estar mais propenso e desejo de uma alteração de carreira, ou por conta da idade ou porque já está em uma situação (financeira) mais estável", avaliou.

Entre os bancos públicos, o Banco do Brasil anunciou na última segunda-feira (29) um plano para cortar até 3 mil funcionários e a Caixa Econômica Federal já está com um PDV em andamento. 

O Bradesco também vem efetuando o fechamento de agências. Entre janeiro e junho, 36 foram fechadas, para 4.581 agências. No entanto, desde que comprou o HSBC Brasil, o banco vem ajustando a sua rede. Em 2016, eram 5.314 pontos de atendimento tradicionais.

Na avaliação de Felipe Silveira, analista da corretora Coinvalores, os bancos, de forma geral, estão se preparando para enfrentar no médio prazo um ambiente de maior competição devido ao efeito dos bancos digitais e fintechs (empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros).

"Os bancos estão mostrando que tem feito um movimento para buscar eficiência em um novo momento para o setor, de competição mais acirrada. Em algum momento, a oferta de contas e serviços digitais vai pressionar (as receitas) os bancos. Nesse cenário, há a oportunidade de reduzir o tamanho da rede", explicou Silveira.

Para o especialista, no curto prazo, essa concorrência está sendo mais sentida no lado das tarifas , com a oferta de contas correntes com isenção de tarifas. No médio prazo, com a retomada da economia, ele acredita que essa competição pode chegar de forma mais expressiva nas operações de crédito, levando a uma redução dos spreads.

Na contramão desse cenário, ao menos no que diz respeito ao tamanho da rede, está o Santander , que no primeiro semestre do ano abriu 40 agências.

A instituição, no entanto, tem uma rede menor do que a dos concorrentes e tem se concentrado em abrir agências em locais que possui ou presença menor ou para atender necessidades específicas de uma região, como a demanda por crédito rural .

Para Carlos Daltozo, analista da Eleven Financial, os bancos apresentaram neste primeiro semestre do ano um lucro dentro do esperado. No entanto, mostram que o crédito está crescendo abaixo do esperado, o que fez com que as ações dessas instituições fosse pressionada nos últimos pregões.

"A carteira de crédito mostra alguma desaceleração por conta da economia mais fraca, que faz com que a demanda por operações de empréstimos fique menor", disse.

O crescimento do crédito nos bancos está sendo garantido pelas operações de pessoas físicas e pequenas e médias empresas. Já o crédito para as grandes empresas segue estagnado, uma vez que o fraco crescimento da economia tira o apetite do empresário em investir.