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Tereza Cristina, da Agricultura, confirmou reunião com embaixadores para tratar o tema, que pode afetar as exportações brasileiras ao Oriente Médio

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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tereza Cristina adimitiu desconforto dos países árabes com o Brasil por escritório em Jerusalém

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, confirmou que há um "desconforto" entre os países árabes e o Brasil por conta da decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de abrir um escritório comercial em Jerusalém . Ela disse se esforçar para que o episódio diplomático não afete as exportações brasileiras.

A titular do ministério disse ainda que irá se encontrar, na próxima quarta-feira (10) com 51 embaixadores de países árabes para tratar do mal-estar e reiterar o compromisso brasileiro. De acordo com ela, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade que representa os ruralistas, vai participar do encontro.

A criação do escritório em Jerusalém foi anunciada pelo presidente no último domingo (31), no primeiro dia de sua visita oficial a Israel. Tida por sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos, a cidade não é reconhecida internacionalmente como a capital israelense – Tel Aviv.

A instalação do escritório em Jerusalém foi uma saída diplomática de Bolsonaro para tentar contornar a situação gerada com os árabes após ter manifestado publicamente, logo após a eleição, a intenção de transferir a embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, tal como o fez o presidente norte-americano Donald Trump. Para os palestinos, a medida é vista como uma provocação .

O recuo em relação à transferência da embaixada se deu após a ala militar, ruralistas e a própria ministra Tereza Cristina alertarem que a medida poderia gerar prejuízo bilionário para a economia brasileira, ao afetar diretamente as exportações aos países árabes. Em janeiro, a Arábia Saudita chegou a suspender importação de frigoríficos brasileiros .

Mesmo após os avisos e a suspensão saudita, no entanto, Bolsonaro se manteve em defesa do estado israelense, até anunciar a criação do escritório, que causa indignação dos árabes e de opositores do Estado israelense. A Autoridade Palestina condenou a decisão e anunciou que vai chamar o embaixador no Brasil ao Oriente Médio para consultas, o que representa, diplomaticamente, uma grande insatisfação e a reprovação da medida do governo brasileiro para com os palestinos.

"Existe, é claro, um desconforto, vamos assim dizer. Mas as relações vão continuar. No que depender de mim, como ministra da Agricultura, e do setor produtivo que apoia esse relacionamento, essa cooperação comercial entre os países do mundo árabe e do Brasil, nós vamos continuar fazendo com que ele cresça", afirmou Tereza Cristina a jornalistas, que completou que "esses problemas de geopolítica são para o presidente da República, para o embaixador, chanceler".

O escritório em Jerusalém trouxe à tona o receio de retaliações comerciais dos países árabes, que são grandes compradores de carne bovina e de frango do Brasil. A Arábia Saudita, que suspendeu a compra de carne de frigoríficos brasileiros, é a maior compradora de carne de frango do País. Segundo a ministra da Agricultura, o escritório de negócios é um meio termo entre manter a embaixada em Tel Aviv e transferi-la para Jerusalém, como cogitou Bolsonaro.

Leia também: Por que a visita de Bolsonaro a Israel interessa ao agronegócio

"Eu acho que a saída do escritório é realmente um meio termo. Não é uma embaixada lá, é um escritório de negócios. A gente sabe do ânimo que existe lá naquela região, mas o Brasil é um país que é amigo de todos os países e, na área comercial, nós temos um peso muito grande no mundo árabe, no mundo islâmico. Então eu acho que nós temos que continuar conversando", avaliou Tereza Cristina sobre a relação entre os  países árabes e o Brasil.