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Presidente em exercício acredita que suspensão de frigoríficos não foi retaliação, já que embaixada brasileira "não está mudada [de cidade] ainda"

Para Mourão, a decisão da Arábia Saudita de descredenciar 33 frigoríficos brasileiros não está ligada a provável mudança da embaixada
Romério Cunha/VPR - 22.1.19
Para Mourão, a decisão da Arábia Saudita de descredenciar 33 frigoríficos brasileiros não está ligada a provável mudança da embaixada


 O presidente em exercício, general Hamilton Mourão, disse não acreditar que a decisão da Arábia Saudita de s uspender as importações de frango de 33 frigoríficos brasileiros foi uma forma de retaliação ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). A declaração foi dada nesta terça-feira (22).

De acordo com ele, o veto da Arábia Saudita aos 33 frigoríficos não tem a ver com a provável mudança proposta por Bolsonaro, de que a embaixada brasileira de Israel saia da cidade de Tel Aviv e passe a ficar em Jerusalém. "A embaixada não está mudada ainda, o pessoal está se antecipando ao inimigo", afirmou.

Mourão também não confirmou se a embaixada realmente será trocada de lugar: "Vamos aguardar", disse.

Ontem (22), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou, em nota, que a suspensão dos frigoríficos foram causadas por questões técnicas. "As razões informadas para a não-autorização das demais plantas habilitadas decorrem de critérios técnicos", escreveu.

Mais tarde, porém, o ex-secretário geral da Liga Árabe, Amr Moussa, afirmou que a medida foi, sim, uma forma de resposta à proposta de Bolsonaro . Segundo ele, "o mundo árabe está enfurecido" com o Brasil . “Essa é uma expressão de protesto contra uma decisão errada por parte do Brasil. Muitos de nós não entendemos o motivo pelo qual o novo presidente do Brasil trata o mundo árabe desta forma", completou.

Medida da Arábia Saudita pode ser primeira entre outras formas de retaliação

Para Liga Árabe, mudança da embaixada brasileira para Jerusalém é
Alan Santos
Para Liga Árabe, mudança da embaixada brasileira para Jerusalém é "ação ilegal" e retaliação da Arábia Saudita pode ser a primeira entre outras


Recentemente, a Liga Árabe aprovou uma resolução pedindo que o Brasil “respeite o direito internacional” e que abandone a ideia de mudar a embaixada para Jerusalém. Além disso, o conselho também avisou aos  embaixadores brasileiros presentes nos diferentes países árabes que “Estados membros da Liga Árabe tomariam as medidas políticas, diplomáticas econômicas necessárias em relação a essa ação ilegal”.

“Eu acredito que tais medidas (como o descredenciamento dos frigoríficos) vão continuar”, disse Moussa. “A única forma de evitar isso é se o Brasil desistir dessa ideia. Jerusalem é uma capital de dois Estados, não de um.”

Hoje, a  embaixada do Brasil  em Israel está localizada na cidade de   Tel Aviv , internacionalmente reconhecida como a capital do país. Há mais de 100 anos, árabes e judeus travam uma intensa batalha para assumir  Jerusalém  como a capital da Palestina e de Israel, respectivamente.

A transferência da embaixada é um movimento que pode ser interpretado como o reconhecimento, por parte do Brasil, de que Jerusalém é a capital de Israel, e não da Palestina – uma decisão considerada polêmica e que pode até ser prejudicial. Para países do Oriente Médio,  a iniciativa é tida como uma provocação .

De acordo com a ABPA, entre os 58 frigoríficos de carne de frango habilitados para exportar ao país, apenas 25 foram autorizados pela  Arábia Saudita  para continuar o processo. Entre os descredenciados, estão unidades da BRF e JBS , grandes empresas do setor. Atualmente, o país é o maior importador de frango do Brasil, ficando com 14% da produção do alimento. Em segundo lugar aparece a China, que importa 11% deste tipo de carne. 


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