Tamanho do texto

Em países mais ricos, a taxa cai pela metade, afetando cerca de 10% dos jovens entre 15 e 24 anos; desigualdade de gênero faz com que as mulheres sejam mais afetadas pela inatividade na juventude, segundo o relatório

Cerca de 20% dos jovens em economias emergentes não trabalham nem estudam
Henrique Chendes/Fotos Públicas
Cerca de 20% dos jovens em economias emergentes não trabalham nem estudam

Cerca de 20% da população de jovens entre 15 a 24 anos não estuda nem trabalha em países com economias emergentes, divulga o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira (22).

Leia também: Como o Brasil pode reduzir os 23% de jovens que não trabalham nem estudam?

Nos países com economias avançadas, calcula-se que cerca de 10% dos jovens se encaixam na categoria 'nem-nem', enquanto o valor dobra em economias emergentes , saltando para 20%. 

A ausência dos jovens no mercado de trabalho e nas instituições de ensino tem como principal consequência a redução do crescimento potencial dos países e aumento dos conflitos sociais, segundo o FMI.

O relatório defende que países emergentes  se beneficiam com a entrada de novas pessoas no mercado de trabalho como forma de acelerar o crescimento. Se essa força de trabalho não é bem utilizada ou o país deixa de criar empregos, o avanço acaba limitado.

"Cerca de um terço da população em idade ativa nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento é composta por uma população jovem, quase o dobro da participação observada nas economias avançadas", diz o documento, argumentando que a demografia agrava a perda.

Leia também: Desemprego cai, mas ainda atinge 12,2 milhões; informalidade bate recorde

Apesar de o desemprego juvenil ter recuado nos anos 2000, ele segue elevado entre os países emergentes, em 18%. Nas economias avançadas, o índice cai para 12%. Uma das explicações para os resultados ruins do mercado de trabalho entre jovens se dá pela diferença de condição entre gêneros.

Segundo o FMI , a taxa de mulheres que não trabalha nem estuda em economias emergentes é de 30%, quase o dobro do apurado entre homens jovens na mesma posição. "Essa discrepância pode ser explicada pela consequência econômica de ter filhos", justifica o Fundo, argumentando que as construções de gênero afetam a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho e nas escolas.

Leia também:Seguro-desemprego tem reajuste de 3,43% e pode chegar a mais de R$ 1.700

O relatório do FMI cita uma série de políticas que podem ajudar a melhorar a condição do jovem no mercado de trabalho, sobretudo nas economias emergentes . A melhora da educação é vista como fundamental, mas incapaz de sanar todas as questões pendentes. Medidas que busquem a igualdade entre gêneros, melhorar as regulamentações do mercado de trabalho, limitar regras excessivamente rigorosas, e incentivar o empreendedorismo são citadas como medidas complementares e também essenciais.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.