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Investimentos pesados da General Motors Mercosul e lançamentos de 20 novos carros desmentem boatos de que a montadora sairia do Brasil

Carlos Zarlenga, Presidente da General Motors Mercosul
GM/Divulgação
Carlos Zarlenga, Presidente da General Motors Mercosul

Como habitualmente faz em todo início de ano, no dia 11 janeiro a presidente mundial da General Motors, Mary Barra, reuniu-se com investidores para informar os progressos no plano estratégico da companhia. Na ocasião, ela reconheceu que apesar do sucesso da marca Chevrolet no mercado da América do Sul, os resultados financeiros da General Motors Mercosul não haviam sido bons na região em 2018.

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Ao final da apresentação, respondendo a perguntas, Mary comentou sobre a força da marca Chevrolet, que é líder de mercado há três anos na região, e da disciplina e competência da equipe local. Disse também que os executivos da General Motors Mercosul estavam trabalhando com os parceiros estratégicos da empresa em iniciativas para melhorar o negócio e garantir um futuro sustentável para a marca.

Mary demonstrou na ocasião confiança no sólido plano de viabilidade que estava sendo traçado, envolvendo negociações com governo, sindicatos, fornecedores, concessionárias e funcionários. Disse ainda que se essas ações não fossem suficientes, haviam mais opções para resolver esse problema.

Na sexta-feira (18), de forma transparente e direta, Carlos Zarlenga , presidente da General Motors Mercosul, enviou um comunicado para todos os funcionários no Brasil, reproduzindo as palavras de Mary Barra, e explicando que 2019 será um ano crítico para empresa, exigindo sacrifícios de todos para evitar que o prejuízo do período de 2016 a 2018 não volte a acontecer. Na mensagem, Zarlenga salientou que o sucesso do plano vai garantir novos investimentos e o futuro do negócio.

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De forma especulativa, alguns meios de comunicação divulgaram que a General Motors estaria saindo do Brasil e da Argentina. Para justificar essa conclusão, o noticiário sensacionalista se baseou em declarações de fontes anônimas, ex-funcionários que não podem ser identificados, e no fato de que os executivos da GM não terem fornecidos detalhes do plano de recuperação.

Parece óbvio que detalhes de negociações com o governo, líderes sindicais, fornecedores e concessionárias não sejam divulgados para imprensa antes de serem concluídas. Parece óbvio também que uma empresa do porte da General Motors não anuncie aos seus funcionários, por e-mail, que está fechando suas portas.

Não foi a sorte que colocou a GM como líder de mercado no Brasil há três anos consecutivos, tendo no seu portfolio de produtos o Onix, o carro mais vendido do Brasil há quatro anos. Em 2013 a empresa anunciou um pacote de investimentos no valor de R$13 bilhões. A sua fábrica de Joinville (SC) recebeu um aporte de R$1,9 bilhão para quadruplicar seu tamanho, recebendo tecnologias de ponta em manufatura inteligente com o objetivo de produzir uma nova linha de de motores de última geração.

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A fábrica de São Caetano do Sul recebeu R$1,2 bilhão para ser totalmente renovada, também dentro do conceito de manufatura inteligente (conhecida como 4.0 por utilizar automação e sistemas de controle online de produção), aumentando sua capacidade de produção de 250.000 carros por ano para 330.000 e produzir novos modelos além do Cobalt, Spin e Montana.

Já a unidade de Gravataí recebeu um investimento de R$ 1,4 bilhão para ser ampliada e produzir outros modelos além de Prisma e Onix.

Esses pesados investimentos estão ligados ao anúncio que a General Motors fez em meados de 2018 sobre o plano de renovação completa de sua linha de carros no Mercosul até 2022, com 30 lançamentos, sendo que 20 serão de carros inéditos.

Há poucos dias mais detalhes desse plano foram revelados envolvendo as novas gerações do Onix, Prisma, Tracker, Spin e uma nova picape de tamanho entre a Montana e a S10, todos esses carros fazem parte de uma nova família global de veículos.

O tamanho desses números e o volume desses investimentos indicam claramente um compromisso de presença de longo prazo da GM no Brasil.

Confundir a transparência de um comunicado público, que reconhece uma situação financeira delicada na General Motors Mercosul , com o abandono de operações quase centenárias da GM no Brasil e Argentina é uma ação especulativa irresponsável, que na época das fake news deveria ser repudiada.

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