Tamanho do texto

Vice-presidente concorda que entrar para a reserva ainda jovem "não é bem visto pela sociedade" e sugere aumentar o tempo de serviço em cinco anos

Hoje, para irem para a reserva, semelhante a uma aposentadoria, militares têm que trabalhar por 30 anos, no mínimo
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Hoje, para irem para a reserva, semelhante a uma aposentadoria, militares têm que trabalhar por 30 anos, no mínimo

O vice-presidente e atual presidente em exercício, general Hamilton Mourão (PRTB), defendeu um aumento no tempo mínimo de serviço na ativa dos militares para 35 anos. Hoje, para ir para a reserva, semelhante a uma aposentadoria, categoria tem que trabalhar por 30 anos, pelo menos.

Leia também: Reforma da Previdência chega ao Congresso em fevereiro, diz secretário

"Acho que vai aumentar [o tempo mínimo de serviço]. É a minha posição como indíviduo", disse o vice-presidente em entrevista à rádio Gaúcha. Apesar de defender que os militares não seguem o mesmo regime de trabalho que os civis enquanto na ativa, Mourão concorda que alguém que pode recorrer à aposentadoria já com 44 anos "não é bem visto pela sociedade".

O general ainda afirmou que a questão do tempo de serviço é um dos pontos que estão sendo discutidos pelo governo e que serão apresentados como forma de mitigar os gastos da União e dos estados com as suas Forças Armadas e polícias. Mourão também defende a tributação das pensões de viúvas de militares na reforma da Previdência: "Seria positivo para o País".

Questionado sobre uma possível relutância por parte dos militares quanto às mudanças, o presidente em exercício respondeu que "não tem resistência nenhuma a isso aí". Segundo Mourão, a proposta de reforma da Previdência ainda será definido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que está em Davos, na Suíça , para participar do Fórum Econômico Mundial.

Protestos

Valter Campanato/Agência Brasil
"Se me perguntarem, [diria que] não devemos modificar nosso sistema [de aposentadoria] ", opinou o general Pujol

Os militares têm resistido publicamente à inclusão da categoria na reforma da Previdência. Só no último dia 9, os ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), além do novo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa, se manifestaram contra a ideia. Dois dias depois, foi a vez do novo comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, protestar.

Leia também: Comandante do Exército defende exclusão dos militares da nova Previdência

"Como comandante do Exército, se me perguntarem, [diria que] não devemos modificar nosso sistema [de aposentadoria ] ", opinou Pujol. "Temos uma diferença muito grande de qualquer outro servidor público ou privado. Não temos hora extra, não temos adicional noturno, não podemos nos sindicalizar. Tem uma série de coisas que devem ser tratadas de forma diferente", completou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.