Tamanho do texto

Mesmo com avanço, só 35,9% dos que estudavam na rede pública nos anos anteriores passaram a cursar faculdade; na educação privada, são 79,2%

Matrículas por cotas mais que triplicaram entre 2009 e 2016, revela IBGE
Divulgação
Matrículas por cotas mais que triplicaram entre 2009 e 2016, revela IBGE

O número de matrículas por cotas no ensino superior público do Brasil mais que triplicou de 2009 a 2016, ao passar de 1,5% para 5,2%, divulgou nesta quarta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Síntese dos Indicadores Sociais 2018.

Leia também: Número de pessoas em extrema pobreza cresce e chega a 15,2 milhões no Brasil

Nos cursos de nível superior (bacharelado) presencial em instituições públicas, as matrículas por cotas registraram aumento de 809 mil para 1,2 milhão. No mesmo período, os números foram maiores nas instituições privadas. As matrículas nesses cursos cresceram de 2,8 milhões para 3,9 milhões.

O Programa Universidade para Todos ( ProUni ), que concede bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais em instituições privadas de ensino superior, também registrou aumento proporcional ao das cotas, indo de 5,7% para 7,3% nos sete anos pesquisados.

Os alunos que ingressaram ao ensino superior após cursarem os anos anteriores em escola privada , no entanto, ainda representam mais que o bobro dos que os estudantes do ensino médio da rede pública , mesmo com os avanços das cotas e do ProUni.

Entre 2009 e 2016, 35,9% dos que se formaram na rede pública passaram a cursar uma faculdade, número que passa a 79,2% para alunos que estudaram na rede privada nos anos anteriores.

desigualdade de renda entre brancos e pretos permanece alta, apesar de os números do IBGE mostrarem uma leve redução do abismo entre os rendimentos. Os pretos ou pardos representavam, em 2017, 75,2% das pessoas com os 10% menores rendimentos, contra 75,4% em 2016. Na classe dos 10% com os maiores rendimentos a participação de pretos ou pardos, por sua vez, aumentou, saltando de 24,7% em 2016 para 26,3% em 2017.

O grupo de de crianças de 4 e 5 anos que frequentava escola ou creche entre 2016 e 2017 subiu de 90,2% para 91,7%, embora ainda não seja suficiente para atingir a meta de universalização do Plano Nacional de Educação (PNE), que é universalizar a educação infantil na pré-escola para as crianças dessa faxa etária e ampliar a oferta em creches.

Mesmo sem conseguir universalizar o PNE, o Brasil está perto da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) referente ao acesso à pré-escola, defende o IBGE. A taxa de crianças com 4 anos de idade em escolas ou creches no Brasil é de 87,1%, abaixo da média de 88%, ocupando o 27º lugar entre 35 países – na frente de países como Chile, Finlândia e Estados Unidos.

A construção de todo o processo de educação passa pelo número de crianças que está nas escolas e creches, a qualidade do ensino, a formação dos professores e muitos outros fatores. Mesmo com a redução das taxas, a desigualdade de renda entre brancos e pretos ou pardos é muito grande no Brasil, avalia o Instituto. 

Leia também: Grupo dos 10% mais ricos concentra quase metade da renda no Brasil, revela IBGE

Necessidade de trabalhar impede muitos de estudarem

Matrículas por cotas e ProUni cresceram entre 2009 e 2016; muitos jovens não podem estudar por terem que trabalhar
Divulgação
Matrículas por cotas e ProUni cresceram entre 2009 e 2016; muitos jovens não podem estudar por terem que trabalhar

Os dados da Síntese dos Indicadores Sociais 2018 indicam que o principal motivo para muitos jovens não conseguirem estudar é a necessidade de trabalhar para compor ou ser a única renda familiar. 

Na população masculina com ensino médio completo e incompleto, eles não estudavam principalmente por precisar trabalhar e procurar trabalho ou aguardar início do trabalho (52,5% no primeiro grupo e 48,9% no segundo). 

Entre as mulheres do mesmo grupo, o motivo da falta de estudos era a dedicação aos afazeres domésticos e cuidados, que concentrou 39,5% das jovens sem ensino médio e 14,7% das jovens com ensino médio que não haviam concluído o ensino superior. Precisar trabalhar e procurar trabalho ou aguardar início do trabalho foram os motivos para 23,2% e 33,6%, respectivamente.

Leia também: Comissão da OEA alerta sobre direitos humanos em risco no Brasil

A Síntese dos Indicadores Sociais 2018 traz um conjunto de informações da realidade social do Brasil e usa a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2012 a 2017 como principal fonte para a divulgação que traz como um dos destaques o aumento do número de matrículas por cotas entre 2009 e 2016.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.