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Processo é o primeiro a ir a julgamento alegando que agrotóxicos com glifosato causam a doença; há 5 mil casos similares em andamento nos EUA

Jardineiro foi diagnosticado com um linfoma em 2014, quando usava o agrotóxico
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Jardineiro foi diagnosticado com um linfoma em 2014, quando usava o agrotóxico "Ranger Pro", da Monsanto

A Monsanto foi condenada pela Justiça americana a pagar uma indenização no valor de US$ 289 milhões – o equivalente a R$ 1,1 bilhão – a um homem com câncer. Segundo a rede de notícias BBC , o indenizado, que é um jardineiro, diz que sua doença é decorrente do uso de herbicidas da empresa.

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Segundo Dewayne Johnson, a empresa, gigante da indústria química e do setor do agronegócio, tem culpa no seu câncer. O jardineiro foi diagnosticado com um linfoma em 2014 quando, de acordo com os seus advogados, usava o agrotóxico "Ranger Pro", da Monsanto , em seu trabalho em uma escola na Califórnia.

A Justiça americana afirma que a empresa tinha conhecimento de que seu herbicida era perigoso, mas a relação direta com a doença ainda pode ser mais investigada. Em sua defesa, a empresa afirma que vai recorrer.

Um tribunal do júri na Califórnia afirmou, em sua decisão, que a gigante agroquímica sabia que seus herbicidas "Roundup" e "RangerPro", que contém glifosato, poderiam causar perigoso aos consumidores que os utilizassem, mas falhou em alertá-los.

Esse é um caso emblemático, já que é só o primeiro processo a ir a julgamento alegando que agrotóxicos com glifosato causam a doença. Há 5 mil casos similares em andamento nos Estados Unidos. 

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O julgamento a respeito do caso do jardineiro Dewayne Johnson demorou cerca de oito semanas. Nesta sexta-feira (10), porém, os jurados norte-americanos decidiram que a empresa estava "mal intencionada" e que seus herbicidas contribuíram "substancialmente" para o desenvolvimento do câncer

Monsanto insiste no uso de agrotóxicos

'Decisão não muda o fato de que mais de 800 estudos afirmam que o glifosato não causa câncer', disse a Monsanto
Danielle Assalve/iG
'Decisão não muda o fato de que mais de 800 estudos afirmam que o glifosato não causa câncer', disse a Monsanto

Em comemoração pelo caso a ser favor, o advogado de Johnson, Brent Wisner, afirmou à BBC que o veredito do júri deixam claras as evidências contra o  agrotóxico . "Quando você está certo, é muito fácil ganhar", disse ele, que afirmou ainda que a decisão é apenas "a ponta da lança" de futuros processos.

Por sua vez, a empresa afirmou, em nota divulgada à imprensa, que "empatiza com Johnson e sua família", mas que vai continuar a "defender vigorosamente seu produto, que tem um histórico de 40 anos de uso seguro". 

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"A decisão de hoje não muda o fato de que mais de 800 estudos científicos – e conclusões da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA e de agências regulatórias ao redor do mundo – baseiam a conclusão de que o glifosato não causa câncer, e não causou o câncer de Johnson", disse a Monsanto .