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Resultado melhor dos últimos três anos foi puxado por contas públicas dos estados e municípios, apesar do desempenho ruim do governo federal

Contas públicas do setor público apresentaram déficit de R$ 14,42 bilhões no primeiro semestre
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Contas públicas do setor público apresentaram déficit de R$ 14,42 bilhões no primeiro semestre

Após a Secretaria do Tesouro Nacional divulgar o resultado das  contas públicas do Governo Central (que engloba Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) na última sexta-feira (27), o Banco Central divulgou nesta segunda-feira (30) o resultado das contas públicas do setor público consolidado, formado pela União, os estados e municípios que também apresentaram saldo negativo.

Segundo o BC, o déficit primário das contas públicas (receitas menos despesas, sem considerar os gastos com juros) ficou em R$ 13,491 bilhões, resultado melhor do que de igual período de 2017, quando chegou a R$ 19,552 bilhões. Esse número foi fortemente influenciado pelo resultado negativo do Governo Central que apresentou déficit primário de R$ 14,951 bilhões.

Desse resultado, por sua vez, a maior parte veio da Previdência, com déficit de R$ 14,513 bilhões, praticamente a totalidade do saldo negativo do Governo Central. Por outro lado, os governos estaduais e municipais anotaram um saldo positivo que reduziu o déficit total.

Contas públicas puxadas pelas empresas

Contas públicas foram puxadas pelo desempenho de estados e municípios e derrubadas pelos gastos da Previdência Social
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Contas públicas foram puxadas pelo desempenho de estados e municípios e derrubadas pelos gastos da Previdência Social

Os governos estaduais tiveram superávit primário de R$ 6 milhões, e os municipais, de R$ 347 milhões. As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas as dos grupos Petrobras e Eletrobras, registraram superávit primário de R$ 1,107 bilhão no mês passado.

No primeiro semestre, houve déficit primário de R$ 14,424 bilhões, contra resultado também negativo de R$ 35,183 bilhões em igual período de 2017.

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Já nos 12 meses encerrados em junho, as contas públicas ficaram com saldo negativo de R$ 89,823 bilhões, o que corresponde a 1,34% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

A expectativa, porém, é de que o resultado do segundo semestre seja, como sempre, mais negativo. Tanto que a meta para o setor público consolidado é de um déficit de R$ 161,3 bilhões neste ano.

Déficit primário não engloba dívida pública

Juros da dívida pública não entram no balanço do déficit primário das contas públicas, mas influenciam percepção da economia
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Juros da dívida pública não entram no balanço do déficit primário das contas públicas, mas influenciam percepção da economia

Apenas no mês de junho, os gastos com juros da dívida pública ficaram em R$ 44,450 bilhões, contra R$ 31,511 bilhões no mesmo mês de 2017 resultadno num total acumulado de de janeiro a junho, de R$ 202,976 bilhões, contra R$ 206,584 bilhões em igual período de 2017.

Já nos 12 meses encerrados em junho, os gastos com juros somaram R$ 397,217 bilhões, o que corresponde a 5,94% do PIB. Dessa forma, o déficit nominal, formado pelo resultado primário e os resultados dos juros da dívida somados, atingiu R$ 57,941 bilhões no mês passado ante R$ 51,063 bilhões de junho de 2017.

Enquanto isso, o resultado negativo consolidado no primeiro semestre ficou em R$ 217,4 bilhões, ante R$ 241,767 bilhões em igual período do ano passado. Nos 12 últimos meses, o déficit nominal ficou em R$ 487,041 bilhões, o que corresponde a 7,28% do PIB.

Além disso, a dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 3,440 trilhões em junho, o que corresponde 51,4% do PIB, com aumento em relação a maio (51,3% do PIB).

No ano, a dívida líquida em relação ao PIB recuou 0,2 ponto percentual. Segundo o BC, essa redução ocorreu principalmente por conta da alta do dólar, acumulada em 16,6%. Ele explicou que a dívida pública cai quando há alta do dólar, porque as reservas internacionais, o principal ativo do país, são feitas de moeda estrangeira.

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Em junho, a dívida bruta - que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais - chegou a R$ 5,165 trilhões ou 77,2% do PIB, com crescimento de 0,1 ponto percentual em relação a maio, o que não entra no balanço das contas públicas, mas afeta a percepção de desempenho da economia nacional.

* Com informações da Agência Brasil

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