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Estudo divulgado mostra que, desse grupo, 54% são mulheres, 55% são pessoas pretas, 59% são pessoas com deficiência (PCD), 64% são profissionais com mais de 55 anos de idade e 59% possuem pós-graduação

Brasil Econômico

62% dos profissionais de RH disseram que as empresas não estão preparadas para lidar com a diversidade no trabalho
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62% dos profissionais de RH disseram que as empresas não estão preparadas para lidar com a diversidade no trabalho

De acordo com o último levantamento do IBGE, o desemprego ainda atinge 13,4 milhões  de pessoas no País. E em meio à tentativa de tantas pessoas em encontrar um trabalho novo, metade dos profissionais brasileiros relata já ter se sentido prejudicada durante um processo seletivo , segundo aponta pesquisa da Vagas.com em parceria com a Talento Incluir. 

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O estudo publicado nesta semana conta que, desse grupo, 54% são mulheres, 55% são pessoas pretas, 59% são pessoas com deficiência (PCD), 64% são profissionais com mais de 55 anos de idade e 59% são pós-graduados. Em relação aos motivos da discriminação sofrida durante a procura de um trabalho , os candidatos mencionaram os seguintes itens:

  • Idade – 37%
  • Local que mora – 15%;
  • Raça/etnia – 12%;
  • Estilo – 11%
  • Condição social – 11%;
  • Peso – 10%;
  • Faculdade que frequentou – 9%;
  • Gênero – 6%;
  • Religião ou crença – 5%;
  • Deficiência – 1%.

A pesquisa também constatou que a discriminação não acontece somente durante os processos seletivos, mas também durante o cotidiano no trabalho. E o quadro praticamente se repete.

Vale destacar que, dos 43% que disseram ter vivenciado esse tipo de situação, 48% são mulheres, 48% são pessoas pretas, 65% são PCD e 47% tem idade entre 36 e 40 anos. Em relação aos motivos da discriminação, os profissionais empregados mencionaram os seguintes itens:

  • Idade – 20%
  • Condição social – 19%;
  • Estilo – 16%;
  • Raça – 11%;
  • Local que mora – 11%;
  • Peso – 10%;
  • Religião – 10%;
  • Gênero – 9%;
  • Orientação sexual – 6%;
  • Faculdade que estudou – 5%;
  • Idioma ou sotaque – 4%;
  • Altura – 4%;
  • Deficiência – 2%.

Para o coordenador da pesquisa na Vagas.com, Leonardo Vicente, os dados são reveladores e surpreendentes, uma vez que apontam com precisão um retrato de exclusão e preconceito.

“Essa percepção retratada por mulheres e PCDs reflete, de certa forma, a falta de programas estruturados de inclusão e de diversidade no ambiente corporativo. Essa significativa parcela afetada acende uma luz de alerta para empresas e profissionais de RH”, destaca o especialista.

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Confirmação de um ciclo

As empresas responsáveis pela pesquisa também conversaram com os profissionais de RH para saber como as companhias estão lidando com a questão da diversidade. E, segundo a apuração, 60% dos profissionais de RH disseram que trabalham em um lugar onde não há programa de diversidade .

Por outro lado, 40% disseram que já contam com a iniciativa, mas que as ações, em sua maioria, são voltadas para PCD e jovem aprendiz.

Ao menos 62% dos profissionais de RH que participaram da pesquisa também disseram que as empresas onde trabalham não estão preparadas para lidar com a diversidade. Entre as dificuldades apontadas estão preconceito ou falta de informação, item citado por 48%.

Já aceitação e respeito dos gestores foi apontado por 25% dos entrevistados, enquanto que aceitação e respeito dos colegas foi mencionado por 14%. Já a falta de preparo da área de RH e discriminação foram citados, respectivamente, por 9% e 4% dos participantes.

Sobre o assunto, Vicente conta que esses dados são extremantes alarmantes. “Mostra claramente que o tema diversidade ainda não está no centro das discussões de políticas inclusivas e mais acolhedoras. É preciso que o assunto faça parte da agenda dessas empresas e comece a ganhar corpo e relevância com a máxima urgência”.

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Por fim, 55% dos especialistas de RH acreditam que ações pata eliminar desigualdades no ambiente de trabalho podem sim compensar perdas provocadas pela discriminação.