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Entre as vítimas encontradas estavam 13 crianças entre 11 e 17 anos de idade; auditores também não encontraram água potável e nem um banheiro disponível para os operários que cumpriam jornadas excessivas no local

Brasil Econômico

Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo busca fazer um acordo com o dono das propriedades
Divulgação/Ministério do Trabalho
Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo busca fazer um acordo com o dono das propriedades

Na última quarta-feira (2), 87 pessoas foram resgatadas pelo Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo. De acordo com os fiscais do trabalho, as vítimas estavam em situação de trabalho degradante e cumprindo jornadas excessivas para ampliar a remuneração. Muitos começavam a trabalhar à meia-noite e terminavam o dia de trabalho às 18h ou 19h.

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O resgate aconteceu em duas casas da região de Arapiraca, no estado do Alagoas, onde acontecia a produção irregular de farinha de mandioca. Entre as vítimas encontradas pela equipe de combate ao trabalho escravo estavam 13 crianças entre 11 e 17 anos de idade.

Os auditores também não encontraram água potável disponível para os trabalhadores, que chegavam a ficar horas sem hidratação. Além disso, o único banheiro disponível para as duas casas estava interditado, o que obrigava o grupo a fazer necessidades no mato próximo.

Mais riscos

Muitos começavam a trabalhar à meia-noite e terminavam o dia de trabalho às 18h ou 19h
Divulgação/Ministério do Trabalho
Muitos começavam a trabalhar à meia-noite e terminavam o dia de trabalho às 18h ou 19h

As máquinas utilizadas para a produção de farinha de mandioca também apresentavam graves riscos, já que praticamente não ofereciam proteção para os operadores que também ficavam vulneráveis ao calor excessivo e o pó da moagem e secagem da farinha.

A ação ainda não foi concluída, mas o Grupo Móvel busca fazer um acordo com o dono das propriedades para que ele faça o devido pagamento dos direitos trabalhistas às 87 vítimas encontradas, maior resgate feito desde 2012.

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Outros casos

Infelizmente, o caso da região de Arapiraca não é uma exceção. No final de abril, a Polícia Federal prendeu um comerciante da cidade de Salto , interior de São Paulo, por submeter pessoas ao trabalho escravo. As vítimas vendiam laticínios, como iogurte e queijos, de porta em porta, num esquema de pagamento por crediário. Segundo a operação, as 28 pessoas resgatadas do trabalho escravo foram levadas do sertão cearense para as cidades paulistas de Itu, Porto Feliz, Elias Fausto, Capivari, Salto, Sorocaba e Boituva.

A ação fiscal constatou que o criminoso oferecia um alojamento degradante para as vítimas. Além de superlotado, o local estava infestado de carrapatos, pulgas e baratas. As vítimas de trabalho escravo também disseram em depoimento que sequer almoçavam, já que o explorador custeava apenas o café da manhã e o jantar do grupo. Eles não possuíam registro em carteira de trabalho e recebiam salários abaixo do piso da categoria.

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