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Apesar de estar contratando, mercado tem oferecido salários baixos, o que reduz o crescimento da massa salarial e afeta a arrecadação da Previdência

Previdência Social tem sido afetada pelos salários mais baixos oferecidos pelo mercado
Divulgação
Previdência Social tem sido afetada pelos salários mais baixos oferecidos pelo mercado

A Previdência Social registrou a primeira queda real nos últimos 10 meses em decorrência da contratação de trabalhadores por salários mais baixos. De acordo com dados divulgados pela Receita Federal , o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) arrecadou R$ 31,818 bilhões em março, valor 0,53% inferior ao do mesmo mês do ano passado, com valores pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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Em termos reais, a última queda havia acontecido em abril do ano passado. Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias, a evolução do mercado de trabalho nos últimos meses fez a arrecadação da Previdência parar de crescer ao descontar a inflação.

“A economia está contratando cada vez mais trabalhadores, mas eles estão voltando ao mercado com um patamar salarial um pouco menor [do] que no ano passado. Apesar de haver crescimento no número de empregos, a massa salarial está crescendo menos”, disse Malaquias.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados ( Caged ) do Ministério do Trabalho mostrou que, em fevereiro, mês que serviu de fato gerador da arrecadação de março, o País contratou 61.188 trabalhadores formais a mais do que demitiu. A massa salarial cresceu 3,68% em valores nominais em relação a fevereiro do ano passado. No entanto, com a atualização pelo IPCA, houve queda de 0,06% na mesma comparação.

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Lucro das empresas

A arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – tributos ligados ao lucro das empresas – caiu 3,78% em março, na comparação com o mesmo mês do ano passado, em valores corrigidos pelo IPCA, depois de crescer em janeiro e fevereiro. De acordo com Malaquias, a queda se deve ao fato de que muitas empresas de grande porte anteciparam o pagamento dos dois tributos para os dois primeiros meses do ano, impactando o resultado de março.

“O que importa é o resultado do trimestre, em que a arrecadação [de IRPJ e CSLL] acumula crescimento de 2,18% acima da inflação. A legislação dá a faculdade para as grandes empresas pagarem em qualquer um dos três primeiros meses do ano. A data de pagamento é um comportamento que varia de empresa para empresa. Não dá para estabelecer um padrão”, disse.

Segundo o auditor da Receita, aconteceram compensações (devoluções de tributos pagos a mais) e o abatimento de prejuízos de anos anteriores por grandes empresas, que também puxaram para baixo o pagamento de IPRJ e CSLL em março.

Estimativa

A arrecadação federal acumula crescimento real (acima do IPCA) de 8,42% nos três primeiros meses do ano. Sem as receitas extras do ano passado, como o parcelamento especial conhecido como novo Refis, a Receita estima que o crescimento diminuirá nos próximos meses até encerrar o ano em torno de 4%.

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Além da Previdência , Malaquias falou também sobre a arrecadação federal. Segundo ele, a estimativa está mantida e só será revisada no fim de maio, quando o Ministério do Planejamento divulgar a nova programação do Orçamento.

*Com informações da Agência Brasil

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