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Presidente dos EUA deve adotar taxa de 25% sobre aço importado; norma pode prejudicar o Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA

Donald Trump afirmou, na última quinta-feira (1º), que deverá aumentar as taxas de importação de aço e alumínio
Evan El-Amin/shutter
Donald Trump afirmou, na última quinta-feira (1º), que deverá aumentar as taxas de importação de aço e alumínio

Em reunião com líderes mundiais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou sobre sua intenção em  aumentar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio e de acordo com o secretário de Comércio, Wilbur Ross, ele não está considerando nenhuma isenção à medida.

“Eu sei que ele teve conversas com vários líderes mundiais”, afirmou Ross em entrevista ao programa This Week, da rede de televisão ABC, neste domingo (4). A declaração do secretário é um forte indício de que Trump não abrirá exceções em relação à nova norma de importação de aço.

"A decisão obviamente é dele, mas dado o momento e até onde eu sei, ele está falando sobre uma medida bastante ampla. Ainda não o ouvi descrever isenções específicas", disse Ross.

Na última quinta-feira (1), o presidente dos EUA afirmou que iria adotar uma taxa de 25% sobre o aço importado e 10% sobre o alumínio. A medida seria para proteger os produtores nacionais, no entanto, os parceiros comerciais não gostaram nada da mudança, o que gerou uma tempestade de críticas e quedas nos mercados de ações.

Em seu depoimento, Ross tentou apaziguar os possíveis problemas que a tarifa poderia causar. Segundo ele, a quantidade total de tarifas que o governo norte-americano propõe é de cerca de US$ 9 bilhões por ano, uma fração de 1% da economia.

“Então a noção de que isso destruiria muitos empregos, elevaria os preços, perturbaria as coisas está errada", minimizou Ross.

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“Profunda preocupação”

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, expressou sua “profunda preocupação” com relação à possibilidade de Trump adotar o aumento tarifário, conforme informou o Downing Street.

"A primeira-ministra mencionou a nossa profunda preocupação com o anúncio do presidente sobre tarifas sobre o aço e o alumínio, e mencionou que uma ação multilateral é a única forma de resolver o problema do excesso de capacidade", disse uma porta-voz de Downing Street.

Para o diretor da UK Steel, a associação britânica do setor siderúrgico, Richard Warren, a alta das tarifas pode ter "impacto" na economia do Reino Unido. Segundo dados do Governo britânico, a indústria do aço gerou 1,6 bilhão de libras no ano de 2016, o que representa 0,1% da economia do Reino Unido.

Brasil

As siderúrgicas brasileiras também correm o risco de terem que tomar medidas drásticas para lidar com perdas.

O Brasil é o segundo maior exportador de aço para o EUA e as vendas para os norte-americanos significa um terço das exportações brasileiras do produto. Das 35 milhões de toneladas de aço bruto que são produzidas, 15 milhões são exportadas, sendo que um terço vai para a terra de Trump.

Cerca de 80% do aço que vai para os norte-americanos é semiacabado, precisa passar por siderúrgicas americanas ates de chegar ao cliente final. O Brasil não pode exportar produtos finais justamente porque já está em vigor uma medida antidumping contra o aço acabado nacional.

A medida mostra que os EUA consideram os preços dos produtos anticompetitivos e impõem uma sobretaxa a eles. A medida em discussão agora seria uma nova taxa, aplicada a todos os tipos de aço.

A nova norma deverá ser oficializada na próxima semana, e deve afetar as maiores empresas do Brasil como o Santander, CSN, Usiminas e Gerdal.

A proposta de taxar a importação de aço e alumínio não foi bem recebida pelo comércio global. Na sexta-feira (2), as siderúrgicas listadas na B3 (antiga Bovespa) perderam R$ 1,91 bilhão em valor de mercado por conta da queda de suas ações.

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