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Nota na agência de classificação de risco ficou em -BB com perspectiva estável; com decisão, país fica mais distante do selo de bom pagador

Brasil Econômico

Segundo a Fitch, deficits, dívida crescente e suspensão da reforma da Previdência causaram rebaixamento
EBC
Segundo a Fitch, deficits, dívida crescente e suspensão da reforma da Previdência causaram rebaixamento

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou nesta sexta-feira (23) a nota de crédito da dívida soberana do Brasil para -BB, três abaixo do grau de investimento que indica um bom pagador, com perspectiva estável. Até então, a nota do país era BB com perspectiva negativa. Este é o segundo rebaixamento da nota de uma grande agência em 2018.

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Em janeiro, a Standard & Poor's (S&P) rebaixou o Brasil também para três níveis abaixo do grau de investimento com perspectiva estável. Segundo a Fitch , a medida foi adotada por conta dos persistentes deficits fiscais e o peso da dívida crescente do governo, além da falta de reformas que melhorem o desempenho das finanças públicas. A agência cita ainda a suspensão da reforma da Previdência anunciada na segunda-feira (19).

Para a agência, isso "representa um importante revés na agenda de reformas que mina a confiança de médio e longo prazo na trajetória da dívida pública e o compromisso político para abordar o problema". O comunicado também aponta que os investimentos caíram para "novos mínimos".

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O cenário político para este ano também foi apontado como um desafio. Na avaliação da agência, seria necessária uma forte liderança política e governabilidade para avançar nas reformas, aumentar o crescimento e reduzir as preocupações com a sustentabilidade da dívida no médio e longo prazo.

Grau de investimento

Desde fevereiro de 2016, a nota do Brasil estava dois níveis abaixo do grau indicado para investimento. A Moody's, outra grande agência de classificação de risco, ainda não alterou a nota e continua a manter o país dois níveis abaixo do grau de investimento. Em dezembro, o ministro Henrique Meirelles realizou uma teleconferência com representantes das três agências.

Na ocasião, ele pediu que Fitch, S&P e Moody's aguardassem a votação da reforma da Previdência, prevista para fevereiro, antes de tomarem qualquer decisão sobre a nota do Brasil. Em nota publicada nesta sexta, o Ministério da Fazenda afirmou que a "Dívida Pública Federal conta atualmente com uma composição saudável, reduzida exposição cambial e baixa concentração de vencimentos no curto prazo".

Segundo a pasta, esse cenário "contribui para mitigar os riscos inerentes à sua gestão". No comunicado, o ministério também afirmou que "a Fitch reconhece que os fundamentos macroeconômicos brasileiros permitem tanto absorver choques internacionais e domésticos como garantir a sustentabilidade da dívida pública".

Governo defende "avanços"

No comunicado, o Ministério da Fazenda ressaltou "os avanços já obtidos" e afirmou que o governo federal "segue comprometido em progredir com a agenda de reformas macro e microeconômicas destinadas a garantir o equilíbrio das contas públicas, crescimento econômico sustentável e contínua melhoria do ambiente de negócios".

A classificação de risco por agências de classificação de risco representa uma medida de confiança dos investidores internacionais na economia de um país. As notas servem como referência para juros de títulos públicos, que representam o custo para o governo pegas dinheiro emprestado de investidores.

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O grau de investimento definido por agência como Fitch, S&P e Moody's funciona como um atestado de que os países não correm o risco de dar calote na dívida pública. Abaixo dessa categoria, está o grau especulativo, cuja probabilidade de deixar de pagar a dívida sobe à medida em que a nota diminui.

* Com informações da Agência Brasil.

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